Público presente no evento

O auditório central do Campus Humberto Teixeira, em Iguatu, foi o palco do I
seminário de Integração e Sensibilização quanto à Acessibilidade linguística para
os surdos, nesta segunda-feira, 25/04. No mesmo evento foi comemorado os 15
anos da Lei de Libras- Língua Brasileira de Sinais ( Lei Federal nº 10.436 de 24
de Abril de 2002).

Professores, vereador, alunos surdos e intérpretes e uma plateia atenta ao debate
fizeram uma noite especial. Mas as comemorações começaram logo cedo pela
manhã com uma caminhada pelas principais ruas de Iguatu, com concentração na
Praça da Caixa Econômica. O evento foi promovido pela ASI- Associação de
Surdos de Iguatu.

No auditório do campus Humberto Teixeira foi possível ouvir relatos de pessoas
surdas de Iguatu e suas dificuldades enfrentadas numa sociedade que parece não
estar muito preocupada com uma comunidade(surda) que hoje chega a mais de
10 milhões no país inteiro.

Público atento às discussões

Fazer compras, ir a uma consulta médica, procurar um emprego, chegar a uma
delegacia de polícia, coisas simples para algumas pessoas tornam-se verdadeiros
desafios para quem não escuta, principalmente porque existem pouquíssimos
intérpretes de Libras, a linguagem brasileiras de sinais e que consigam se
comunicar com eles.

Foi possível ouvir relatos emocionantes de pessoas que convivem ou que
conhecem pessoas surdas no seu dia-a-dia, mas que não podem fazer muita coisa
por elas, pois desconhecem a Lingaguagem de sinais. Há uma luta, nesse
momento em Iguatu, para que se tenha instalado no IFCE- Instituto Federal um
curso de Letras/Libras, defendida pelo Professor de Libras do Instituto, Émerson
Cristian.

Segundo ele, a Lei de Libras veio para mudar a vida dos surdos ,
fazendo com que a sociedade tenha mais espaço pra eles. ” Teoricamente os
surdos passam a ter uma vida melhor”, disse o professor Cristian. Para ele o
preconceito ainda é o maior impecilho para garantir o direito aos surdos e a
outras minorias. Lutar contra todo tipo de discriminação é a melhor forma de lutar
pelos direitos dos surdos, segundo ele.

Mesa composta por professores, intérpretes e autoridades

Quanto a instalação de um curso de Letras/Libras ,o professor adiantou que já
existe uma conversa com o pró-reitor de Ensino do IFCE e existe uma
possibilidade de que o curso se instale em Acopiara, mesmo não tendo aquele
município nenhuma comunidade surda organizada , tal qual existe em Iguatu. Ele
acredita que no fim das contas, através de muito diálogo, pode se ter a chance de
Iguatu ganhar o tão esperado curso.

Para Antonio Nelson(surdo), Presidente da Associação dos surdos de Iguatu, o 1º
Seminário de reconhecimento da Lei de Libras foi muito positivo por divulgar a
Libras como uma segunda Língua oficial, reconhecida apenas a partir do ano de
2002. Ele afirmou que uma das lutas é ampliar os cursos básicos de libras e a
formação de uma central de Libras com intérpretes que possam prestar
atendimento nas mais diversas esferas da sociedade.
A Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) é utilizada por deficientes auditivos para
a comunicação entre eles e entre surdos e ouvintes. Para melhor nos inteirarmos
dessa realidade é interessante que essa linguagem se faça conhecer, e que haja
uma procura por ela com o interesse de aprendê-la.

A Professora Doutora, Socorro Pinheiro, da FECLI- Faculdade de Educação,
Ciências e Letras de Iguatu, do curso de Letras, esteve presente no evento e
avaliou como muito importante comemorar os 15 anos da Lei de Libras, mas
comunga da opinião de que a sociedade não está preparada para se comunicar
com os surdos. Para a professora, mesmo com todos os avanços a inclusão ainda passa muito distante da realidade dos surdos. Para a professora é necessário que a Politica Educacional tenha mais ações para integrar esses surdos à sociedade. A falta de intérpretes é um dos principais problemas apontadas pela Professora/Doutora, Socorro Pinheiro.

A LIBRAS é uma das linguagens de sinais existentes no mundo inteiro para a
comunicação entre surdos. Ela tem origem na Linguagem de Sinais Francesa. As
linguagens de sinais não são universais, elas possuem sua própria estrutura de
país pra país e diferem até mesmo de região pra região de um mesmo país,
dependendo da cultura daquele determinado local para construir suas expressões
ou regionalismos.