Artigo
CRÔNICAS DE UM BRASIL CANTADO: Humberto Teixeira, o iguatuense!
Enquanto muitos nordestinos tinham suas vidas interrompidas pela fome e pela miséria, devido a uma das maiores secas da história do Brasil, nascia, em 05 de janeiro de 1915, aqui mesmo na nossa Iguatu, Humberto Cavalcanti Teixeira.
Eu não quero me prender aqui em ratificar a importância de Humberto Teixeira na carreira musical e folclórica de Luiz Gonzaga. A minha intenção é mostrar que um filho de Iguatu foi um baluarte na construção da cultura popular e erudita do Brasil, sobretudo a do Nordeste.
Sem querer destruir sonhos literários de ninguém, mas as menções tão conhecidas que autores como Euclides da Cunha e Monteiro Lobato fazem aos nordestinos, tipo “o sertanejo é, antes de tudo, um forte”, não representam o que a maioria das pessoas pensa. Quem chegou para afirmar, por meio de suas músicas, que o sertanejo é verdadeiramente uma fortaleza em si mesmo foi Humberto Teixeira.
Ninguém conseguiu extrair de letras e melodias tão tristes, essências tão alegres. Para se ter uma ideia, quando Luiz Gonzaga gravava, na RCA Victor, o hino Asa Branca, os funcionários da gravadora puseram óculos escuros e saíram, com pires nas mãos, pedindo moedas a quem lá estava, enfatizando que se tratava de uma música tão triste que lembrava cegos pedindo esmolas. E Asa Branca, hoje, é luz para os nossos olhos.
Costumo dizer que o tempo se encarrega de construir seus próprios heróis. No período da Segunda Guerra Mundial, o Brasil sofreu uma invasão de refugiados e, com eles, chegaram por aqui também, com muita força, vários ritmos musicais, inclusive o bolero. No entanto, o Baião de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga foi quem brecou esse êxodo musical. O Brasil já tinha uma voz; o Baião era a voz brasileira.
Depois do ano de 1964, mais uma vez o tempo se encarrega de convocar o seu exército de eminentes artistas. Podemos dizer que foi o início de um período de intelectualização da música, quando se foi preciso, por meios subversivos, gritar, mesmo que em silêncio, lutar, mesmo que sem pegar em armas, por algo muito maior e soberano. Mas Humberto já fazia isso em suas músicas, elevando o nordestino ao patamar de gente, sofredora, mas feliz e honrada. Comprova-se o que falo no fato de que Humberto Teixeira foi, e ainda é, gravado pelos maiores nomes da música popular brasileira, como Chico Buarque, Fagner, Lenine, Gal Costa, Caetano Veloso, Maria Bethânia dentre tantos outros.
No ano 1943, Humberto Teixeira se formou em Direito, pela Faculdade Nacional de Direito do Rio de Janeiro e ficou conhecido como Doutor do Baião, título este lhe concedido pelo Rei do Baião, Luiz Gonzaga.
Em 1º de abril de 1955, tomou posse como Deputado Federal, pelo Partido Social Progressista – PSP do Ceará, onde foi um dos precursores do que hoje conhecemos como lei dos direitos autorais.
Humberto Teixeira faleceu em 03 de outubro de 1979, na cidade do Rio de Janeiro – RJ, nos deixando um legado de imensurável relevância.
Resta claro que Humberto Teixeira foi um grande compositor, um grande jurista, um grande político, um grande homem e, acima de tudo, um grande iguatuense.
Iguatu, terra querida, parafraseio Joaquim Osório Duque-Estrada para ratificar que “és uma mãe gentil dos filhos deste solo”.
Boa semana e até a próxima!
*Por Kleylton Bandeira
Comunicador e pesquisador cultural
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