Pessoas oriundas de todas as ocupações da cidade lotaram a galeria da Câmara Municipal de Iguatu

A tão aguardada votação do projeto de doação dos terrenos para as famílias que ocupam áreas públicas em Iguatu foi adiada novamente.Os ocupantes, que lotaram as galerias aguardando a decisão, se mostraram decepcionados. Após o envio do projeto oriundo do poder executivo, cuja demora era motivo de reclamações, o legislativo alega a necessidade de mais tempo para avaliar a permuta.

Segundo o presidente da câmara, o vereador Rubenildo Cadeira, é preciso atenção. “Quando se trabalha com a coisa pública é preciso responsabilidade, já que uma permuta mal feita pode resultar em prejuízo para o município e até mesmo para os principais interessados nos terrenos, que são os ocupantes”, afirma Rubenildo. O vereador também lembra que é necessário que o projeto passe pelo crivo de comissões e que os vereadores tenham tempo de avaliar melhor o projeto.

Antes do início da sessão o presidente da câmara se reuniu com representantes dos ocupantes para explicar o caso. O representante da ocupação do bairro Filadélfia, Marcos Oliveira, se mostrou de acordo com a decisão, alegando que é preciso cautela para não tomar uma decisão precipitada. ” Às vezes a gente vai pela felicidade de ver o projeto aí e acaba sendo prejudicado. Tem que ver se vale a pena e esperar. Quem esperou seis meses debaixo das lonas aguenta mais uma semana ou duas”, afirmou Marcos.

Sessão Tensa
Os vereadores da bancada de situação se mostravam extremamente interessados na aprovação do projeto, ao ponto de incitar a população contra a bancada de oposição. O vereador Nelho Bezerra por vários momentos interrompeu as falas aos gritos. Bandeira Jr. também se mostrava bastante exaltado, também interrompendo a fala do Padre Leiva, que representava os ocupantes. Com o aumento das tensões, após a fala do Padre Leiva e do Padre Anastácio, o presidente da Câmara achou por bem encerrar a sessão, até mesmo por questão de segurança, já que vereadores da bancada de situação incitava a população. Ao ouvir o encerramento da sessão vários vereadores se mostraram decepcionados e irritados. O vereador Nelho Bezerra percorria o plenário da casa dos gritos de ‘satanás’, alegando estar revoltado com a não votação do projeto.

Entenda o caso
As ocupações em Iguatu começaram em meados do ano passado quando alguns terrenos públicos pertencentes ao município foram ocupados em forma de protesto pela falta de políticas de moradia por parte da prefeitura. Ao todo se formaram 6 ocupações espalhadas pela cidade com moradias precárias. Inicialmente a Prefeitura de Iguatu afirmava não ter terrenos disponíveis para as famílias, porém encontrou 11 áreas institucionais que podem ser trocadas por lotes afastados do centro da cidade. Pelo volume do projeto, de mais de 70 páginas, e o pouco tempo para ser lido, os vereadores da bancada de oposição, depois de reunião com os líderes das ocupações, acharam melhor adiar a votação para que o projeto seja lido e os terrenos avaliados corretamente. A votação do projeto está marcada para 16-02, após o carnaval.