Economia
44% das empresas do Ceará inovaram na crise
No Ceará, 44% dos pequenos negócios encararam a crise pandêmica com o lançamentos e/ou vendas de novos produtos e serviços para sobreviverem. O dado é da 8ª edição da pesquisa Impacto da pandemia de coronavírus, realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Ao todo, foram ouvidos 6.033 empreendedores em todo o Brasil. Destes, 151 no Estado.
A coleta de informações ocorreu entre 28 de setembro a 1º de outubro. A margem de erro é de 1% para mais ou para menos. O articulista de gestão e estratégia do Sebrae, Felipe Melo, frisa que a inovação foi crucial para manter os negócios em funcionamento nos últimos meses. “Com o impacto forte do fechamento temporário, eles tiveram de mudar rápido e foi tudo muito intenso. O chamado novo normal já chegou e está em vigor para os pequenos. Não deu tempo para pensar”, destaca.
Os números também mostram que 67% dos empreendimentos sofreram mudanças em razão da crise e 65% redução do orçamento. Na avaliação do economista Sérgio Melo, as empresas que já estavam no mercado online melhoraram as condições e criaram uma ambiência mais eficiente para não sofrer os efeitos econômicos da pandemia.
“Surgiu um novo mercado. E foi a grande criatividade dos empresários, inovando e buscando os mercados que não tinham. Essa foi a grande surpresa. As marcas conseguiram enxergar como reinventar o que faziam”, analisa. Por outro lado, as que estavam no sentindo oposto, não conseguiram uma solução rápida e tiveram de fechar as portas ou foram as mais impactadas negativamente, assim como os setores que não tinham mais margem para inovação, como bares e restaurantes.
Sérgio enfatiza que o Governo Federal deverá reavaliar os programas de apoio, identificar as falhas, corrigi-las e voltar a disponibilizar recursos para aqueles que não conseguiram e tiveram apenas parte do valor liberado ou sequer conseguiram ajuda do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe).
De acordo com o estudo, 47% dos entrevistados não conseguiram empréstimos no Ceará. Felipe Melo acentua que esse foi um ponto que demandou articulação. “Havia dois aspectos: o primeiro era interno, cujas empresas eram resistentes em razão de acreditarem que há uma conotação negativa. O externo eram os bancos não apenas com a burocracia, mas a dificuldade de adaptar empréstimos ágeis para esse período”, avalia. “O Sebrae atuou nessa parceria de mentalidade de cooperação e celeridade de liberação dos recursos com os bancos”, afirma.
Mais da metade dos pesquisados (59%) é composta por microempreendedores Individuais (MEI), seguida de 38% de microempresas (faturamento bruto anual de até R$ 360 mil) e 3% de pequeno porte (faturamento bruto anual entre R$ 360 mil e R$ 4,8 milhões).
O setor mais robusto é o comércio (47%). Depois dele, aparecem serviços (44%), indústria (4%), construção civil (3%) e agropecuária (2%). Os negócios com menos de um ano são minoria, totalizando 10% do bolo. Os com entre um e dois, sobem para 15%. Já de dois a cinco anos, saltam para 23%. O tempo de cinco a 10 anos e mais de uma década correspondem a 26%, cada.
O perfil desses empreendedores é formado por mais homens (65%), que se declararam negros (57%) e com ensino superior incompleto ou mais (60%). A maior faixa etária é de 36 a 55 anos (68%).
Fonte: O Povo
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