A falta de saneamento básico, a ocupação desordenada do solo e das cidades, assim como o desmatamento das matas ciliares estão entre os fatores históricos diretamente proporcionais à piora da qualidade dos rios brasileiros. No Ceará, os oito mananciais monitorados pela Fundação SOS Mata Atlântica, entre março de 2018 e fevereiro de 2019, estão em condição regular, gerando um alerta quanto aos seus potenciais de uso.

Numa classificação de cinco níveis, isso quer dizer que os rios Pacoti, Ceará, Cocó, Curu, os riachos Maceió e Parreão, a Lagoa do Porangabussu e o Açude Santo Anastácio não possuem águas com qualidade ruim ou péssima, tampouco podem ser consideradas boas ou ótimas. Comparando a análise anterior, entre março de 2017 e fevereiro de 2018, a condição dos mananciais não sofreu nenhuma alteração.

O diagnóstico divulgado neste Dia Mundial da Água faz parte do relatório “O retrato da qualidade da água nas bacias da Mata Atlântica”, feito a partir da análise de 220 rios em todo o País. A conclusão verificada é de que, aos poucos, os índices de qualidade dos mananciais estão perdendo sua capacidade de abrigar vida aquática, de abastecer a população e de promover saúde e lazer para a sociedade.

Para o resultado, foram feitas 2.066 análises de indicadores internacionais que integram o Índice de Qualidade da Água (IQA), composto na metodologia desenvolvida pela SOS Mata Atlântica por 16 parâmetros: temperatura da água e do ambiente, turbidez, espumas, lixo flutuante, odor, material sedimentável, peixes, larvas e vermes vermelhos, larvas e vermes brancos, coliformes totais, oxigênio dissolvido, demanda bioquímica de oxigênio, potencial hidrogeniônico, além de fosfato e nitrato.

Em nível nacional, dos 278 pontos de coleta de água monitorados, somente 18 (6,5%) apresentam qualidade boa e nenhum dos rios e corpos d’água têm qualidade ótima. Outros 207 (74,5%) apresentam qualidade regular, 49 (17,6%) qualidade ruim e 4 (1,4%) péssima.

Sobre os mananciais da Capital, a Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma) informa finalizar o processo de contratação e emissão da Ordem de Serviços do Programa de Monitoramento dos Recursos Hídricos, que contemplará o monitoramento de 27 Lagoas/Lagos/Açudes e 12 Rios/Riachos. Esse trabalho deve ter início no próximo mês.

Urbanização

Em paralelo, destaca desenvolver e implantar projetos de requalificação e urbanização dos recursos hídricos, viabilizando melhorias urbanas e ambientais. O projeto de requalificação do Parque Rachel de Queiroz, segundo a Seuma, contemplará a revitalização dos recursos hídricos ao longo do parque, como o Açude João Lopes, Riacho Alagadiço e o Açude da Agronomia, em benefício de cerca de 285 mil pessoas.

Nas unidades de conservação estaduais, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) destaca ações de recuperação, como a limpeza do Rio Cocó, que permitiu o retorno da navegabilidade em alguns trechos; e a ampliação da Área de Proteção Ambiental – APA – do Estuário do Rio Ceará, com a incorporação do seu principal afluente, o Rio Maranguapinho, totalizando quase 4 mil hectares de área protegida. Ainda conforme a Pasta, os projetos de florestamento e reflorestamento do Estado, hoje, priorizam a recuperação de áreas degradadas em mananciais como os rios Cocó, Pacoti e Ceará.

Fonte: Diário do Nordeste