Uma campeã de surfe, Luzimara Souza, 23, foi atingida por um raio e morreu ontem enquanto treinava na praia da Leste-Oeste. Com média de 15 raios por hora na Capital nessa quarta-feira, a incidência foi considerada “alta”, conforme o Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ao longo do dia, foram computados 7.500 raios nuvem-solo no Ceará e 360 em Fortaleza.

Em 2019, segundo dados do Inpe, já ocorreram quatro mortes por raio no Estado. Além de Fortaleza, Pindoretama, Santana do Acaraú e São Gonçalo do Amarante também tiveram um óbito. São 63 mortes por raio desde o ano 2000.

Neste verão, foram registrados 21 mil raios nuvem-solo no Ceará. No verão de 2018, foram 800 mil. Os números se referem às descargas que atingiram o solo, mas não é possível identificar o ponto exato em que o raio cai. Em nota, o Elat informa que “uma variação comum resultou em uma diminuição mais acentuada do que a prevista”. A causa seria a “ocorrência do fenômeno El Niño, que provoca alteração nos padrões de movimento das massas de ar sobre o nosso país e influência na ocorrência de tempestades”.

Os raios são “descargas elétricas de grande intensidade que conectam o solo e as nuvens de tempestade na atmosfera”. Segundo o Inpe, a intensidade típica é de 30 mil Ampères, “cerca de mil vezes a intensidade de um chuveiro elétrico”, e dura apenas frações de milésimos de segundos.

Eles surgem de nuvens muito desenvolvidas verticalmente, que podem ficar carregadas eletricamente, explica Raul Fritz, da Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme). Dentro das nuvens se formam centros de cargas elétricas intensas, positivas e negativas. Em determinado momento, a nuvem descarrega a tensão acumulada, transportando elétrons na forma de corrente elétrica. Quando isso ocorre, o ar ao redor se aquece e se ilumina, resultando no relâmpago, que ao atingir o solo é chamado de raio. A centelha que caracteriza o fenômeno provoca rápida expansão do ar, que se ouve como trovão.

Nessa situação, o ambiente externo, tanto na água quanto na terra, exige atenção, explica o tenente Romário Fernandes, da assessoria de comunicação do Corpo de Bombeiros do Ceará. “A situação de maior risco é aquela em que você é o ponto mais próximo entre o solo e as nuvens. Isso engloba descampados, como campos de lavoura e de futebol, piscina, mar. Qualquer lugar sem árvores ou edificações”. Ele alerta que, ao avistar raio ou escutar trovão, a recomendação é buscar abrigo imediatamente. “Se não houver casa ou prédio, o ideal é ficar dentro de um carro com vidros fechados e não encostar na lataria”. Além de queimaduras graves, a descarga elétrica do raio causa arritmia cardíaca e danos cerebrais.

Fonte: O Povo