Ceará
Cordelista cearense envia “Antologia do Golpe” a Lula
Coletânea, que reúne 19 livretos, trata do caso do triplex, golpe de 2016 e Operação Lava Jato. Detido na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, no Paraná, há mais de 80 dias, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem recebido milhares de cartas de brasileiras e brasileiros que o apoiam.
De mensagens de cidadãos comuns a documentos assinados por entidades e figuras de renome, passando por intelectuais, artistas e aliados políticos, o petista tem sido o destinatário mais cativo das correspondências que chegam atualmente à Polícia Federal em terras paranaenses.
Nos próximos dias, um envelope especial deve se somar às milhares de cartas já enviadas a Lula: ele irá receber uma coletânea de cordéis postada diretamente de Juazeiro do Norte, na região do Cariri, no Ceará.
É a “Antologia do Golpe”, de autoria do cordelista Hamurábi Batista, que há 27 anos se dedica à literatura. O material reúne ao todo 19 cordéis, que foram produzidos nos últimos anos, no contexto da crise política que levou ao golpe de 2016 e seus desdobramentos.
Segundo o autor, a ideia é que a criatividade típica da narrativa de cordel ajude o petista a dar mais leveza ao tema.
“É um tema duro, não tem nada pra ficar alegre, mas a energia com que eu estou mandando é com tanto carinho que acho que pode chegar até ele. Minha intenção é dar um pouco de alegria pra ele”, afirma.
As histórias narradas na coletânea abordam os mais diferentes temas, como os protestos de 2013; a Operação Lava Jato; o golpe que levou à destituição da ex-presidenta Dilma Russeff (PT); a morte do ministro do Supremo Teori Zavaski; a condenação do petista José Dirceu; a reforma da Previdência; o petróleo brasileiro; a dívida pública e o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL).
Outros livretos trazem Lula como figura central das narrativas, abordando a sentença do caso do triplex e a perseguição política, judicial e midiática ao petista.
Livro
O pesquisador Alberto Perdigão, que acompanha o trabalho de Batista e ajudou no processo de envio dos cordéis para Curitiba, destaca que o material tem grande relevância literária especialmente por oferecer um viés que contrasta com o discurso dos jornais tradicionais sobre o golpe.
“O cordel é um dispositivo midiático informativo que pode servir como mídia alternativa ao jornalismo hegemônico. Fiquei muito impressionado com a fertilidade dessa produção volumosa e de muita qualidade [da coletânea]. Não tenho a menor dúvida de que ele [Lula] vai gostar muito”.
Hamurábi Batista busca atualmente um financiamento para tentar transformar a “Antologia do Golpe” em livro. Segundo ele, a ideia é disseminar ainda mais a narrativa sobre o golpe, para que mais leitores acessem, por meio do cordel, informações não divulgadas pela mídia tradicional.
“O cordel é jornalismo popular. Ele tem uma força e um respaldo grandes. A partir disso, as pessoas que têm dúvidas podem esclarecer suas dúvidas através dessa linguagem”, complementa.
Edição: Diego Sartorato do Brasil de Fato
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