Foto: André Salgado/ O Povo
Com população estimada, no ano passado, em pouco mais de 2,5 milhões de habitantes, a Capital possui 5.987 vagas, entre leitos municipais e estaduais.

Deles, 4.133 são de gestão da Prefeitura. O índice para o total, então, é de 2,39 vagas por cada grupo de mil habitantes.

Segundo especialistas, quantidade de leitos na rede pública não atendeu ao crescimento da demanda. Mesmo com aumento de 20% de vagas de internamento entre 2005 e 2012, Ceará ainda precisa criar novos leitos.

“As prefeituras (do Ceará) são habituadas a fazer políticas de saúde baseadas em ambulância. Fortaleza tem que atender o Ceará inteiro e aí parece que faltam leitos”, analisa o professor do curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará (Uece), José Jackson Coelho Sampaio. Doutor em saúde pública, José Jackson também é psiquiatra e reitor da Uece.

Ele defende que o problema em Fortaleza não é por carência de vagas. A questão está na má distribuição dos leitos no Estado, ao longo dos anos. O professor acrescenta que, antes da construção de novos hospitais da gestão do governador Cid Gomes, a última edificação data de mais de 20 anos atrás.

A falta de interiorização da rede contribuiu para a não expansão dos leitos. Marcelo Gurgel, professor da graduação em Medicina e do mestrado e doutorado em Saúde Pública da Uece, sustenta que o crescimento dos leitos não deve, necessariamente, acompanhar o populacional. “Se tiver uma atenção primária e secundária funcionando bem, você diminui os leitos de maior complexidade e evita a necessidade de aumento de leitos de UTI. Isso é o ideal”, diz.

Fornecido pelo Ministério da Saúde, os números de leitos são do fim de 2012. Somando-se os particulares, o Estado possui 19.022. Apesar da defasagem de leitos, os números já representam melhoria. Em 2005, ainda segundo o Ministério da Saúde, o índice de leitos por mil habitantes no Ceará era de 1,49. O Estado tinha uma população de pouco mais de 8,09 milhões e um total de 12.116 leitos. Mesmo com o aumento de 20% dos leitos financiados pelo SUS ao longo de oito anos, o Ceará não conquistou o mínimo determinado.

Fonte: Angélica Feitosa/Jornal O Povo.