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Após dificuldades para deixar Bolívia, estudantes cearenses chegam a Fortaleza
Após quase quatro dias de viagem de ônibus, uma caravana formada por 65 estudantes cearenses, sendo a maioria alunos de um curso de medicina na cidade de Cochabamba, na Bolívia, chegaram a Fortaleza, por volta do meio-dia deste domingo (19). O desembarque aconteceu em um ponto próximo à sede da Ordem dos Advogados do Brasil – Secção Ceará (OAB-CE), no Bairro Edson Queiroz.
Devido à pandemia do novo coronavírus, as autoridades bolivianas adotaram medidas rigorosas na implementação de quarentena no país, dificultando o dia a dia dos estudantes, inclusive o retorno deles ao Brasil. Eles, por exemplo, só podiam sair de casa uma vez por semana para comprar comida e durante um período máximo de quatro horas.
Sem ter como se manter trabalhando, os estudantes dependiam de uma ajuda financeira maior por parte dos familiares. Porém, até os bancos funcionavam em horários restritos e estavam sempre cheios. As casas de câmbio também se mantêm fechadas no país, restando recorrer a cambistas que praticam preços acima do aceitável.
“Na Bolívia, estavam bem rigorosos com a quarentena, nós não estávamos podendo sair, fazer compras, com tempo limitado, a polícia estava fechando o cerco. Viemos com muita luta, mas Deus nos deu essa vitória de chegar aqui em paz e com saúde. Todos estamos bem, mas foi uma viagem dura, árdua”, afirma o estudante de medicina Antônio Vitor Portela. Ele estava matriculado em uma universidade em Santa Cruz de La Sierra.
Os estudantes saíram da Bolívia – Santa Cruz de La Sierra – em um ônibus ainda na quarta-feira (15), por volta das 23h, e atravessaram a fronteira de Puerto Quijarro com Corumbá, no Mato Grosso do Sul, até seguirem em direção ao Ceará, onde chegaram cerca de três dias e meio depois.
Reunidos em grupos de uma rede social, os estudantes chegaram a apelar a políticos que intermediassem o retorno para casa, pois se diziam abandonados pelas autoridades brasileiras.
‘Apreensão’
De acordo com Portela, todo o grupo estava apreensivo quanto à operação de repatriação. “Todos estavam sem saber o que fazer quanto a sair da Bolívia. Não podia sair de carro próprio, com amigos, nada. Estávamos apreensivos se o consulado ia nos ajudar a sair”, relembra Portela.
“A viagem foi muito tranquila. Tivemos paradas para alimentação, para tomar banho e quando chegamos na fronteira todo o Exército brasileiro estava nos esperando. Mas estávamos muito apreensivos porque estávamos longe de casa, da família”, endossa a também estudante de medicina, Eva Mariana. Para ela, o sentimento constante era de medo.
“Todas as fronteiras foram fechadas e só podia sair com repatriação. E era muito difícil conseguir autorização para ser repatriado. Esse sentimento não mensura o tamanho da gratidão que a gente sente hoje”.
Fonte: G1 CE
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