Policial
Acusado de feminicídio em Iguatu tem prisão temporária decretada; população realiza ato contra o crime
Após quase duas semanas da morte da agente de saúde, a polícia ainda segue na investigação do caso que vem sendo tratado como homicídio por espancamento. A novidade do caso ficou por conta na prisão temporária do companheiro da vítima na noite da última sexta-feira, 16, dando ao fato indícios de crime qualificado por feminicídio.
Maria Helena Costa, 53, trabalhava como agente de saúde. Conforme a polícia, ela foi localizada dentro da casa onde residia no Bairro Chapadinha com sinais de espancamento no corpo e lesões na cabeça. Socorrida pelo Corpo de Bombeiros para o Hospital Regional de Iguatu, foi atendida no serviço de emergência, na mesma noite transferida para o Hospital Regional do Cariri, onde veio a falecer na manhã da terça-feira, 13.
Dr. Monique Teixeira, titular da Delegacia Defesa da Mulher (DDM-Iguatu), recebeu o caso da Delegacia Regional e confirma que a principal linha de investigação aponta para o crime de feminicídio. “Com as primeiras oitivas demos início as investigações na quarta-feira de cinzas. Pelo laudo que está nos autos do inquérito levantamos a hipótese de morte por espancamento e não por algo natural ou queda provocada por acidente”, disse.
Laudo
Dentro da residência onde ela estava foram encontrados fios de cabelo espalhados pelos cômodos da casa, inclusive no banheiro do imóvel. A delegada adiantou que tipos de lesões foram encontradas em Maria Helena, após ter em mãos o laudo cadavérico. “As lesões eram concentradas no olho. Os médicos comprovam que uma queda por si só não teria causado uma lesão com tamanha gravidade”, contou.
Os indícios iniciais levaram a investigação junto à justiça pelo pedido de prisão temporária de Raimundo Correia de Souza, companheiro de Helena. “A prisão temporária é para o bom andamento da investigação e preservação da integridade até mesmo do acusado. Os motivos que levam a investigação apontar Raimundo como suspeito, dentre eles, é o histórico de discussões que o casal colecionou”, adiantou a delegada, sem entrar em detalhes dos depoimentos colhidos para não comprometer a investigação.
Conforme a delegada, Raimundo nega autoria, mas a investigação aponta incoerência no depoimento dele. “Ele alega que estava bebendo nas Cajazeiras, e traz as informações de horários que chegou à Chapadinha, mas não tem como excluir devido às proximidades de horários. Por estar em processo de investigação, preciso omitir alguns detalhes para expor num momento oportuno”, disse.
A vítima não tinha medida protetiva ou registro de violência, mas a delegada afirma que são comuns as vítimas de violência doméstica que protelam a denúncia. Histórico do acusado também vem sendo investigado pela DDM. “Houve informações por alto de histéricos que agressões do Raimundo com sua ex-companheira que faleceu vítima de um acidente, mas ainda não posso adentrar esse assunto por falta de informações mais concretas”, disse.
Raimundo ficará preso por 30 dias na cadeia pública de Iguatu até a conclusão do inquérito. A delegada afirma que está aberta a colher mais informações por meio de testemunhas e conhecidos do casal.
Com a informação e confirmação da polícia que a morte de Helena trata-se de um homicídio, a cidade de Iguatu registra seu segundo crime de morte no ano de 2018.
Manifestos
Em manifesto que teve início na praça da Caixa Econômica Federal, encabeçado pelo Conselho Municipal dos Direito da Mulher -CMDM de Iguatu, dezenas de pessoas percorrem nesta sexta-feira, 23, as principais ruas da cidade, encerrando-se na Delegacia da Mulher.
O ato apoiado por entidades de classe como Associação das Mulheres de Iguatu (AMI) e representações de classe tinha como objetivo alertar e repudiar qualquer ato de violência e luta pela igualdade e direitos. Sílvia Helena, também agente de saúde, ressaltou a importância da mobilização. “Não podemos nos calar diante de uma barbárie dessas! Esperamos que atos e situações como essas sirvam como divisor de águas para que casos como esses não se repitam. Buscamos ainda por justiça pela honra de nossa companheira”, justificou.
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