Política
PMDB do Ceará rompe com o governo Dilma
O PMDB do Ceará apoiará hoje decisão do partido pelo desembarque do governo Dilma Rousseff (PT). Com o anúncio da ruptura previsto para as 15 horas, o líder da sigla no Estado, senador Eunício Oliveira, afirma que indicações suas para cargos no governo federal “estarão à disposição” da presidente Dilma.
“Será por aclamação (a saída do governo), sem votação. O PMDB do Ceará estará todo em Brasília”, disse Eunício. O senador confirma indicações da sigla no Estado nas direções da Companhia Docas do Ceará e no Banco do Nordeste (BNB). “Estão à disposição (os cargos). O (José) Guimarães (líder do governo na Câmara) pode assumir os cargos se quiser”, disse.
A questão foi fechada ontem e comunicada por Michel Temer (PMDB) ao ex-presidente Lula (PT). Poucas horas depois da conversa entre os dois, o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), pediu demissão do cargo. Em carta de exoneração, Alves cita “coerência” e afirma que “diálogo” com o governo “se exauriu”.
Além da saída, reunião de hoje do Diretório Nacional do PMDB pode oficializar prazo para 12 de abril para que os outros seis ministros do partido deixem os cargos. Como os delegados da legenda não deverão votar, mas oficializar moção por aclamação, não há como estimar apoios que poderiam ser dados ao governo.
O desembarque do governo Dilma foi definido em reunião entre Temer e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), considerado último “refúgio” do governismo no PMDB. Além disso, ficou acertada a ausência de Temer e dos ministros do partido na reunião de hoje.
Segundo Eunício, a mudança não significa posição imediata do PMDB por oposição ao Planalto, tampouco de apoio ao impeachment. “Isso é outra coisa. Depois disso, o governo não tem compromisso conosco e nem nós com ele. Não vou para fazer oposição cega nem derrubar governo”, disse o senador.
Com 34 delegados, o Ceará tem hoje uma das maiores presenças na direção do PMDB nacional – empatado com São Paulo. Nos últimos dias, outros importantes diretórios do partido, como do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, também anunciaram voto pela saída do governo.
Apesar de Eunício confirmar apenas indicações na Docas e no BNB, o partido detém outros cinco cargos. Entre eles, a presidência do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs), uma superintendência e uma secretaria do Ministério de Pesca e Aquicultura (MPA) e um assento na diretoria da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Completariam as indicações de Eunício uma vaga no conselho diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), ocupada por Ricardo Fenelon Júnior, genro do senador.
Mesmo tendo sido derrotado pelo PT na disputa pelo governo do Estado em 2014 e visto seu maior rival, o ex-governador Cid Gomes (PDT), alçado a ministro da Educação, Eunício vinha defendendo aliança com o governo na bancada do PMDB no Senado.
Fonte: O Povo
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