Brasil
PL oficializa Flávio Bolsonaro e coloca em campo uma candidatura com DNA bolsonarista e conexões internacionais
Convenção em São Paulo reuniu milhares de apoiadores, teve Javier Milei no palco, mensagem de Benjamin Netanyahu e vídeo de Jair Bolsonaro produzido por inteligência artificial. Sem vice e sem uma aliança nacional consolidada, Flávio começa a corrida presidencial tentando transformar o legado do pai em uma candidatura própria
O Partido Liberal (PL) oficializou neste sábado (25), em São Paulo, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República nas eleições de 2026.
A convenção nacional, realizada no Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu, marcou oficialmente a entrada do filho mais velho de Jair Bolsonaro na disputa pelo Palácio do Planalto e, ao mesmo tempo, revelou a estratégia que deverá orientar sua campanha: herdar a força eleitoral do pai, manter a mobilização do núcleo conservador e ampliar a candidatura por meio de alianças dentro e fora do Brasil.
A cerimônia teve milhares de apoiadores e foi construída em torno da imagem de Jair Bolsonaro, que, apesar de não poder participar presencialmente da atividade política, apareceu de maneira virtual.
Mas a convenção também teve uma característica que chamou atenção: a campanha de Flávio procurou apresentar sua candidatura dentro de uma rede internacional de líderes da direita.
Milei no palco, Netanyahu no telão
O principal convidado estrangeiro foi o presidente argentino Javier Milei, que participou pessoalmente da convenção. Sua presença foi mais do que protocolar. Milei discursou em defesa de pautas liberais e contra o socialismo, reforçando a aproximação ideológica com o bolsonarismo. A presença do argentino também ajuda Flávio a se apresentar como parte de uma corrente política que ultrapassa as fronteiras brasileiras e ganhou força em diferentes países da América Latina. Mas a internacionalização da convenção não terminou em Buenos Aires.
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, enviou um vídeo de apoio que foi exibido durante o evento. Na mensagem, Netanyahu parabenizou Flávio pelo lançamento oficial da campanha e o chamou de “grande campeão” do Brasil e da amizade entre os dois povos. O gesto tem peso político porque Flávio vem defendendo uma aproximação muito mais estreita entre um eventual governo brasileiro e Israel. O senador já declarou que pretende reaproximar os dois países e fortalecer a relação bilateral.
Assim, a convenção apresentou uma imagem bastante específica da candidatura: Flávio Bolsonaro não aparece apenas como herdeiro político do pai, mas como representante brasileiro de uma direita conectada a líderes internacionais como Milei e Netanyahu e ao campo político de Donald Trump nos Estados Unidos.
A conexão com Trump e Marco Rubio
A relação com o trumpismo é outro componente importante dessa estratégia. Flávio Bolsonaro vem construindo uma ligação política com o campo de Donald Trump e, nesse ambiente, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, tornou-se uma das principais figuras da interlocução entre Washington e o grupo bolsonarista.
Essa aproximação ganhou ainda mais importância em 2026, em meio à crise diplomática e comercial entre Brasil e Estados Unidos. O senador passou a ocupar uma posição de interlocução com setores do governo Trump e recebeu manifestações de integrantes da administração americana.
A conexão, portanto, não é apenas eleitoral. Ela se mistura à própria disputa política brasileira sobre as relações com os Estados Unidos.
E esse talvez seja um dos pontos mais sensíveis da candidatura: quanto mais Flávio se apresenta como aliado internacional da direita de Trump, Milei e Netanyahu, mais terá de responder se essa internacionalização é um ativo para o Brasil ou uma dependência política externa.
Bolsonaro voltou à campanha — pela inteligência artificial
Se os aliados internacionais estavam fisicamente ou virtualmente presentes, faltava a principal figura da candidatura: Jair Bolsonaro. O ex-presidente não participou pessoalmente da convenção. Em razão das restrições impostas pela Justiça, sua participação política está limitada. A solução encontrada pelo PL foi tecnológica.
A convenção exibiu um vídeo produzido com inteligência artificial que simulou a imagem e a voz de Jair Bolsonaro. A própria gravação informava que se tratava de uma simulação. A mensagem foi utilizada para transmitir apoio ao filho e reforçar a ideia de continuidade política entre Jair e Flávio. O recurso resume o dilema da candidatura.
Flávio precisa do capital político do pai para consolidar sua candidatura, mas terá de fazer isso sem que Jair Bolsonaro possa exercer presencialmente o mesmo papel que desempenhou nas eleições anteriores. A inteligência artificial acabou funcionando como uma espécie de ponte digital entre o eleitorado bolsonarista e seu principal líder. E a iniciativa também abre uma frente jurídica, porque o uso eleitoral de conteúdos produzidos por IA está submetido a regras específicas da Justiça Eleitoral.
Michelle também entra em cena
A família Bolsonaro teve papel central na convenção. Michelle Bolsonaro participou por vídeo e reforçou a importância do voto feminino. Eduardo e Carlos Bolsonaro também enviaram mensagens aos apoiadores pedindo concentração na candidatura de Flávio.
A participação de Michelle merece atenção especial. Além de sua força junto ao eleitorado conservador, sua presença ajuda Flávio a apresentar uma imagem de unidade familiar depois de divergências recentes dentro do próprio grupo. O recado político foi direto: a candidatura de Flávio será apresentada como a candidatura de todo o núcleo Bolsonaro.
O problema começa quando termina o sobrenome Bolsonaro
Se a convenção mostrou força dentro do campo bolsonarista, também expôs o principal desafio da candidatura: sair do núcleo mais fiel ao ex-presidente e construir uma maioria nacional.
Flávio ainda não tem vice. O PL procura uma mulher para ocupar a posição e entre os nomes citados estão Daniella Marques e Tereza Cristina. A escolha não será apenas uma questão de composição eleitoral.
Uma mulher na vice pode ajudar a ampliar o diálogo com segmentos do eleitorado nos quais Flávio enfrenta maior resistência e, ao mesmo tempo, contribuir para a construção de uma chapa capaz de conversar com diferentes setores da direita.
Sem uma grande aliança nacional
Outro problema é a falta de uma coligação nacional robusta. Partidos como PP, União Brasil e Republicanos ainda preservam liberdade para construir seus palanques estaduais, o que dificulta a formação de uma frente nacional em torno do PL. Isso produz uma situação curiosa. Flávio possui uma marca política extremamente forte e uma militância organizada, mas ainda não conseguiu transformar essa força em uma aliança partidária proporcional ao tamanho da eleição presidencial.
É uma diferença importante. Uma coisa é ter um eleitorado fiel. Outra é construir uma maioria eleitoral. E é justamente entre essas duas coisas que estará o desafio da campanha.
Flávio tenta deixar de ser apenas “o filho do Bolsonaro”
Em seu discurso, Flávio procurou reforçar a continuidade do legado do pai, mas também apresentou propostas próprias, como redução de impostos e endurecimento no combate à criminalidade.
A estratégia é delicada. Flávio precisa ser suficientemente Bolsonaro para manter o eleitorado que sustenta sua candidatura, mas também precisa convencer o eleitor que não votaria automaticamente em Jair Bolsonaro. É o clássico dilema de um herdeiro político:
como preservar a marca que lhe deu força sem ficar prisioneiro dela?
O senador entra na disputa pela primeira vez como candidato ao Planalto carregando uma vantagem que poucos concorrentes possuem: o sobrenome Bolsonaro. Mas carrega também o desafio de provar que consegue transformar esse sobrenome em projeto nacional.
A eleição começa a ganhar forma
A convenção do PL abriu uma sequência decisiva para as eleições de 2026. Neste domingo (26), o PSD realiza sua convenção em São Paulo para oficializar Ronaldo Caiado. Na segunda-feira (27), o Novo deve homologar Romeu Zema. O PT realizará sua convenção nacional em 2 de agosto para formalizar a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. O calendário deixa evidente que a eleição começa a abandonar definitivamente a fase das pré-candidaturas e entra no período de formalização dos grandes projetos nacionais.
De um lado, Lula buscará defender seu governo e disputar um novo mandato. Do outro, Flávio Bolsonaro será apresentado como o candidato capaz de manter vivo o projeto político de Jair Bolsonaro.
E no meio deles haverá uma disputa decisiva pelo eleitor de centro-direita, pelos partidos ainda indecisos e pelo eleitor que rejeita tanto o lulismo quanto o bolsonarismo mais radical. Uma candidatura brasileira com uma rede internacional.
A convenção deste sábado deixou uma imagem que pode resumir a campanha de Flávio Bolsonaro. No palco estava Javier Milei. No telão apareceu Benjamin Netanyahu. Na conexão política internacional está Donald Trump, com Marco Rubio como uma das principais pontes com Washington. E, no centro de tudo, apareceu virtualmente Jair Bolsonaro.
É uma candidatura que começa, portanto, com o DNA do pai e uma rede internacional de aliados ideológicos. A pergunta que fica é se essa combinação será suficiente para vencer a eleição brasileira.
Porque apoio internacional pode produzir prestígio, manchetes e identidade política. Mas eleição presidencial se ganha dentro do Brasil. E, para chegar ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro terá de provar que consegue fazer uma coisa muito mais difícil do que reunir seus aliados: transformar o bolsonarismo em maioria.
-
Iguatu4 semanas atrásERRATA – NOTA DE ESCLARECIMENTO E RETIFICAÇÃO
-
CeLELEbridades3 semanas atrásCOLUNA: CeLELEbridades
-
Esportes4 semanas atrásJapão avança e vai enfrentar o Brasil; Equador surpreende a Alemanha na Copa do Mundo
-
Política4 semanas atrásO Conto da Aia na vida real? Entenda o “Paradoxo de Serena Joy” que ronda o plano do PL Mulher
-
Iguatu4 semanas atrásMPCE emite recomendação para sanar caos na saúde e exige melhorias urgentes no Hospital Regional de Iguatu
-
Iguatu3 semanas atrásEMENDA ÔNIBUS DA SAÚDE: Documentos oficiais da SESA desmentem versão da Prefeitura de Iguatu
-
Iguatu3 semanas atrásNova atualização da folha da Prefeitura amplia dúvidas
-
Noticias4 semanas atrásPai é preso suspeito de planejar morte do filho para evitar pensão, em conversa com inteligência artificial
