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O único lugar onde marketing e propaganda vêm antes de trabalho é no dicionário — gasto milionário levanta questionamentos em Iguatu

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A Prefeitura de Iguatu lançou um processo de licitação para contratação de serviços de comunicação institucional que, de acordo com estimativas baseadas no Termo de Referência e nos valores já identificados na planilha, pode alcançar a ordem de R$ 1,7 milhão ao ano. O contrato é previsto para execução em ciclos de 12 meses, com possibilidade de renovação, o que representa um desembolso estimado de aproximadamente R$ 141 mil por mês, caso o valor global se confirme na fase final do certame.

O objeto da contratação envolve um pacote amplo de serviços, incluindo inserções em rádio (spots de 60 segundos), utilização de outdoors no padrão 9×3, campanhas em painéis de LED, assessoria de imprensa, produção de conteúdo, gestão de redes sociais e ações de marketing digital. Trata-se de uma estrutura contínua de comunicação, voltada à divulgação institucional de ações da gestão municipal.

Entre os itens detalhados na planilha, chamam atenção os gastos previstos com influenciadores digitais. Os dados disponíveis indicam duas categorias: perfis de grande abrangência, com custo total de R$ 95.477,76, e de média abrangência, com R$ 81.006,84. Somados, esses valores chegam a R$ 176.484,60, o que corresponde a cerca de R$ 14,7 mil mensais, considerando a execução anual. A justificativa apresentada é ampliar o alcance das campanhas institucionais por meio de perfis com mais de 30 mil seguidores.

A estrutura da licitação indica um volume relevante de ações recorrentes ao longo do período contratual, com múltiplas inserções em rádio, utilização contínua de mídia exterior (outdoors e painéis de LED) e produção permanente de conteúdo. Esse modelo não é incomum na administração pública, mas o contexto local torna a discussão mais sensível.

Isso porque a contratação ocorre em um cenário marcado por relatos públicos de dificuldades em áreas essenciais, como reclamações sobre falta de medicamentos, registros de atrasos com fornecedores e problemas na infraestrutura urbana. Diante desse quadro, especialistas em gestão pública costumam apontar que despesas com comunicação institucional, embora legais, são classificadas como gastos discricionários, ou seja, dependem de avaliação de prioridade por parte da administração.

Outro ponto que entra no debate é o fato de o município já contar com uma estrutura própria de comunicação institucional. A contratação de uma empresa para executar serviços similares pode levantar questionamentos sobre eventual sobreposição de funções e necessidade efetiva da ampliação dos gastos.

Também merece atenção o uso de influenciadores digitais custeados com recursos públicos. A prática tem sido adotada por diferentes gestões como estratégia de alcance, mas frequentemente é alvo de debate quanto aos limites entre informação institucional e promoção da imagem administrativa, especialmente em períodos próximos ao calendário eleitoral.

Importante destacar que os valores mencionados nesta matéria têm como base trechos do Termo de Referência e estimativas técnicas a partir dos itens já identificados, podendo sofrer variações conforme a consolidação final da licitação. Ainda assim, o volume projetado coloca o tema no centro do debate público local.

No fim, mais do que a legalidade do processo, o que se discute é a coerência das prioridades administrativas diante das demandas da população. Em um contexto de restrições e cobranças por melhorias em serviços básicos, o investimento elevado em comunicação institucional tende a gerar questionamentos — resumidos, para muitos, na ideia de que marketing e propaganda dificilmente deveriam vir antes do essencial.

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