Regional
No CE, projeto quer prever a ocorrência de chuvas por meio de ruídos de ligações de celular
Estudantes de Mestrado e Pós-Doutorado da Universidade Federal do Ceará (UFC), professores da Instituição e pesquisadores do Instituto Francês de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), se uniram em um projeto que visa ampliar e aprimorar o monitoramento de chuvas no Ceará com a ajuda de dados da rede de telecomunicações. Projeto foi apresentado pelo IRD nessa terça-feira, 10, na sede do Instituto de Ciências do Mar (Labomar-UFC).
“O projeto consiste na utilização dos dados dos enlaces de micro-ondas, que servem como um elo de ligação entre redes de comunicação. O monitoramento se dá a partir desse enlace que é afetado, e enfraquecido, pela chuva. Dessa forma, podemos correlacionar o enfraquecimento com a ocorrência de chuvas”, explica o professor Tarcisio Marciel, do Departamento de Engenharia de Teleinformática (Deti-UFC).
Em outras palavras, as “falhas” nas ligações em dias chuvosos servirão como um tipo de alerta para a ocorrência da precipitação. O principal objetivo do projeto é medir e prever as chuvas torrenciais, facilitando assim o planejamento para que o impacto de enchentes, alagamentos e outros desastres naturais sejam minimizados.
Além da parceria internacional com o instituto francês, o projeto também conta com a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), que cede seus dados e equipamentos de monitoramento do tempo—como os pluviômetros—que estão distribuídos por toda a Capital e pelos demais municípios do Ceará.
“É uma parceria recente. A ideia é estreitar ainda mais esses laços para que a Funceme trabalhe mais próxima a nós e compartilhe dados ligados à área de previsão de chuva, para que possamos fazer a combinação de técnicas de inteligência artificial com dados das redes de comunicações”, diz o professor Tarcisio Marciel.
Desafios e sucessos
Um dos desafios enfrentados pelos pesquisadores, entretanto, é conseguir o acesso aos dados das ligações de celular. Até o momento, a equipe trabalha apenas com um conjunto de dados limitados, cedidos pela professora Marielle Gosset, do IDR, que desenvolveu um projeto semelhante nos países Nigéria e Camarões.
Nesses países, o IRD trabalha com os dados da empresa de telefonia francesa Orange e, segundo a professora Marielle, o projeto tem funcionado dentro do esperado. “Podemos fazer estimativas de chuvas em tempo real usando o fluxo de dados e usar isso para prever enchentes, por exemplo. É uma técnica que funciona bem, mas ainda não conseguimos um acordo para obter os dados que precisamos para por o projeto em prática no Brasil. O Ceará poderia ser pioneiro nessa técnica”, diz a pesquisadora.
Fonte: O Povo
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