Um terço das crianças brasileiras, de até dois anos, tomam refrigerante ou suco artificial. Além disso, mais da metade dos pequenos desta faixa etária comem biscoitos, bolachas e bolos.

 

Essas informações são da Pesquisa Nacional de Saúde, divulgada, nesta sexta-feira, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE. Para o especialista em nutrologia do Instituto de Metabolismo e Nutrição, Celso Cukier, os pais têm papel fundamental nos hábitos alimentares das crianças. Ele ressalta que para mudança para uma alimentação saudável deve começar pela família. 

“Eu acho que vale a pena reforçar aquela história de que nós precisamos trabalhar a família como um todo. Não adianta, e eu já vi isso em muitos casos, pais comerem batatas fritas e mandarem as crianças comer alguma verdura ou fruta. Não! A família nesse momento tem que se unir.”

Estudos feitos pelo IBGE em 2013 apontaram que uma em cada três crianças está acima do peso, e isso implica em uma série de doenças, como o colesterol alto, hipertensão e diabetes. O especialista Celso Cukier explica que essas doenças aparecem, principalmente, pela má alimentação desde a infância.

“Quanto mais cedo somos submetidos a alimentos de baixa qualidade, ricos em conservantes, em substâncias artificiais, o aumento da quantidade de calorias ingeridas nessa idade vai causar no futuro uma série de doenças relacionadas principalmente à obesidade.”

A servidora pública Luana Rodrigues é mãe e começou a dar refrigerante para o filho quando ele tinha um ano e meio. Ela reconhece que não gostaria de fazer isso, mas entende que já que a criança vê os pais tomando em casa, eles não podem proibir.

“O meu filho mais velho, ele tem três anos hoje, mas eu confesso que ele começou a tomar refrigerante com um ano e meio. Porque é um costume da família, a gente sempre toma e aí infelizmente – infelizmente eu digo porque eu não queria dar – mas como a gente toma. Eu tomo, o pai dele toma, sempre têm festas nos finais de semana. Eu não posso dizer: você não pode tomar e eu posso tomar. Então para ele não tomar, a gente teria que não tomar. Então acaba que como a gente toma, ele toma também.”

O especialista em nutrologia, Celso Cukier, fala que após o desmame, a família deve introduzir alimentos simples e que cheguem o mais próximo do natural. Comer verduras e frutas, e evitar os alimentos que são de origem da farinha.