Política
Lula: “Quero sair daqui com a cabeça erguida”
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou com exclusividade ao EL PAÍS e à Folha de S.Paulo na manhã desta segunda-feira, na superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde ele cumpre pena de 8 anos e 10 meses de prisão no caso do triplex do Guarujá. “Sei muito bem qual lugar que a história me reserva. E sei também quem estará na lixeira”, afirmou, ao longo das duas horas de entrevista, em que fala sobre a tristeza de perder o neto e faz um pronunciamento sobre sua prisão.
É a primeira vez que o petista fala à imprensa desde a prisão, em abril do ano passado. O encontro ocorre após oito meses de negociação entre os dois veículos e a defesa do petista —e após uma batalha jurídica que começou com a censura pelo STF da conversa, o recuo e liberação meses depois, e uma tentativa da PF em transformar a entrevista em coletiva de imprensa, sem o consentimento prévio do entrevistado.
Os agentes explicaram aos jornalistas,fotógrafos e cinegrafistas presentes que ele seria colocado em uma mesa a uma distância de 4 metros de todos.Ninguém poderia se aproximar. Segundo a PF,eles estavam cumprindo um protocolo de segurança comum a todos os presos.
Em duas horas e dez minutos de conversa,o ex-presidente falou da vida na prisão,da morte do neto,do governo de jair Bolsonaro,das acusações de corrupção que sofre e da possibilidade de nunca mais sair da prisão.
“Não tem problema”,afirmou,ele quando questionado sobre a possibilidade.”Eu tenhocerteza de que durmo todo dia com a minha consciência tranquila.E tenho certeza de que o procurado Deltan Dallagnol não dorme,que o Ministro da Justiça e ex-juiz sérgio Moro não dorme.”
Reservou ao ex-magistrado,o primeiro que o condenou pelo caso do tríplex de Guarujá,algumas de suas principais ironias. “Sempre riram de mim porque eu falava “menas”.Agora,o Moro falar “conje” é uma vergonha”,afirmou. Lula disse também que acreditar que “Moro não sobrevive na política”.
Lula disse que a elite brasileira deveria fazer uma autocrítica depois da eleição de Bolsonaro.”Vamos fazer uma autocrítica geral nesse país. O que não pode é esse país estar governado por esse bando de maluco que governo o país.O país não merece isso e sobretudo o povo não merece isso”,afirma.
Fonte: Folha de São Paulo / El País
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