Artigo
Entre Olhares: Refletindo, Sou contra!
Geralmente eu escrevo meus textos procurando embasamento técnico e/ou científico para discutir algum tema que por ventura, naquele momento, tenha me chamado a atenção. Faço pesquisas, levanto dados, leio livros, em fim, intento fundamentar meus artigos, a fim de que não caiam no descrédito e/ou sejam motivos de zombaria por parte de terceiros mal intencionados.
Hoje pretendo apenas divagar aleatoriamente acerca das calorosas discussões que têm sido perpetradas nas Redes Sociais e diversos outros meios midiáticos condenando a obra de urbanização da Lagoa da Bastiana (ou do pouco que ainda lhe resta de espelho d’água). Não pretendo antipatizar, até por que não sou filiado a nenhuma sigla. Mas, de ante mão, sou contra!
Sou contra a todo e qualquer tipo de manifestação e/ou emissão de parecer onde provavelmente os únicos fundamentos se baseiam na paixão, na desinformação e no simples fato de querer aparecer e ainda por cima colocar mais lenha na fogueira. Não se trata do paupérrimo posicionamento de ser filiado ou simpatizante da sigla vinculada à atual gestão.
Vivemos num país onde a tônica é DESTRUIÇÃO. Os desastrosos embates partidários (que não têm nada de político) estão destruindo a autoestima, a identidade e a maturidade democrática do Povo Brasileiro, que agora só se manifesta nas ruas quando patrocinado pelo grande empresariado nacional, leia-se FIESP.
No arfam de provar quem manda mais, o até então respeitoso e respeitado Poder Judiciário está caindo na mixórdia onde magistrados se comportam como verdadeiras “cumadres” intrigadas uma com a outra. Vexatório e inapropriado o vocabulário verborrágico do iminente ministro. O conluio da toga escura está obscurecendo e tornando obsceno o espetáculo da Justiça do país.
A ganância, a exploração e especulação imobiliárias, acobertadas pela impunidade estão destruindo a preservação ambiental, a sobrevivência e a continuidade de nossas ancestralidades, numa carnificina e num genocídio generalizado de Povos Tradicionais tais como indígenas, negros, quilombolas, seringueiros, ribeirinhos, Povo das Matas, dentre outros.
Uma e única empresa, sozinha, destruiu e matou fauna, flora e o curso de 600 km de um Rio até então chamado de Doce. Povoados, cidades e o próprio Estado que nem mesmo carregando o nome do Espírito Santo, foram poupados da imprudência, da ineficiência, da falta de responsabilidade e de ética, também acobertadas pela impunidade. Milhares clamam inutilmente.
No caso específico da até agora Lagoa da Bastiana, ser contra à sua urbanização é ser contra à sua preservação. Historicamente aquele sítio hidrológico tem sido castigado injusta e impunemente, pelo progresso (Avenida Perimetral e Terminal Rodoviário), pela especulação imobiliária, pelas invasões, pelas ocupações desordenadas e pela grilagem de terras. Não tenho conhecimento de quaisquer manifestações contrárias a tudo isso.
Sabemos que tudo isso é obra e graça de grandes empresas e respeitados cidadãos da elite iguatuense, com livre acesso e frequente transito nos corredores palacianos dos Poderes Públicos (privatizados) da nossa cidade. Portanto, no meu olhar, ser contra a urbanização da ainda Lagoa da Bastiana é uma inconteste demonstração de hipocrisia, desinformação e “paixonite” aguda permeada pela vontade simples e pura de aparecer.
Por ventura existam inconformidades técnicas no projeto, este é o momento de fazer uso da inteligência, seriedade e compromisso com a nossa Terra, convocar quem de direito, com reconhecido cabedal técnico e científico para propor as correções cabíveis, necessárias e plausíveis, a fim de que a obra seja APRIMORADA.
Cabe à Prefeitura Municipal e suas diversas Secretarias elaborar um Plano Diretor no sentido de que aquele Recurso Natural seja transformado em recurso didático a fim de que tenhamos na nossa cidade uma profícua Educação Ambiental, um democrático e seguro espaço para o lazer, o entretenimento, a prática de esportes e ao verdadeiro convívio e preservação da natureza.
Estamos cada vez mais sendo vitimas da desordem democrática deste país. Nossas casas estão sendo invadidas corriqueiramente; nossas crianças já não podem ir à escola tranquilamente sozinhas; já não temos mais o direito de saborear sossegadamente um pastel com guaraná nas lanchonetes da cidade; já estamos convivendo com os famosos arrastões.
Por tanto, antes que a resistente Lagoa da Bastiana seja transformada num local simplesmente para a desova de cadáveres das vítimas do Crime Organizado, sua URBANIZAÇÃO, JÁ! Aos contrários, o meu posicionamento: sou contra!
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