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COLUNA DIREITO E CIDADANIA: TEOCRACIA POLÍTICA E ELEIÇÕES
A campanha eleitoral em curso, tal como vem acontecendo de uns tempos para cá, tem sido um verdadeiro passeio de pastores, cristãos e outros espécimes esquisitos que, além do desconhecimento do verdadeiro papel constitucional dos parlamentos federal e estadual e do que efetivamente é da competência dos deputados, fazem do palanque verdadeiro púlpito religioso.
É uma tal postura de defesa dos “valores cristãos”, da “moral” e da “família tradicional” brasileira que até parece que os tais candidatos discursam para uma plateia de fiéis e devotos, e não para eleitores.
Não por mera coincidência, alguns até fazem questão de dizer que são cristãos de direita, de forma a insinuar – falsamente – que o outro lado não tenha a mesma fé ou fé alguma no sagrado. E isso diz muito do conteúdo desses candidatos tão puros de crença.
Projetos e propostas efetivas, que são o que importam para indicar os rumos que o país deve tomar, são coisas que não se veem na maior parte dos discursos de campanha, sobremodo dos candidatos ao legislativo, evidenciando o vazio de conteúdo com que tentam alcançar cargos que nada têm a ver com a fé ou a falta dela. É preciso, muito mais que isso, o que o eleitor busque escolher candidatos que tenham caráter e preparo para as lutas que o mandado impõe e para buscar efetivar os direitos das minorias, dos pobres, periféricas e sem voz ativa na política.
Na falta dessas qualidades e escolhendo pela suposta fé do candidato, estaremos contrariando e a laicidade das instituições republicanas, por um lado, e, por outro, deixando de fora uma infinidade de outras formas de cultos e crenças que formam a sincrética cultura religiosa do Brasil.
Mas o pior disso tudo é que o voto direcionado pela crença vai pavimentando uma teocracia fundamentalista, que confunde a autoridade espiritual e a autoridade do Estado e, dessa construção já sabemos o que resulta, bastando observar o grande mal que ela traz para os países e para a democracias mundo afora, fomentando, no seu ápice, perseguições a grupos, guerras e mortes em massa.
O estrago também pode visto, Senhoras e Senhores, pelo exemplo da atuação parcial e descompromissada com a ordem jurídica vigente promovida pelo Ministro André Mendonça, com seu fundamentalismo “terrivelmente cristão” e claro envolvimento com um esquema político, dentro do Supremo Tribunal Federal.
Romualdo Lima.
Advogado, ex-Conselheiro estadual da OAB/CE,
Conselheiro vitalício do Conselho da OAB – Subseção Centro Sul e
Procurador Federal.
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