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Cidades que não existem mais? Saiba o que aconteceu com 130 municípios extintos no Ceará
A “cidade-fantasma” de Cococi tem a fama de ser abandonada e guardar histórias fantásticas no sertão do Ceará. Contudo, oficialmente, perdeu o status e hoje é apenas um distrito do município de Parambu. Assim como o município, há 130 “ex-cidades” que hoje integram as atuais 184 unidades cearenses, sendo distritos ou localidades.
Entre elas, estão Feiticeiro, hoje distrito de Jaguaribe; Sucesso, parte integrante de Tamboril; e Espinho, localizado em Limoeiro do Norte. São nomes curiosos que tiveram um breve momento de emancipação política na década de 1960.
Quem é feiticeirense com orgulho, como define, é o aposentado Everardo Peixoto, de 72 anos, que nasceu no local e viu a tentativa de tornar o lugar em cidade. Na época, o pai dele, um comerciante importante da região, participou do processo.
“O pessoal gosta muito daqui, inclusive, eu tenho comércio em Jaguaribe, Icó e Fortaleza, mas a minha sede é em Feiticeiro, na casa que foi do meu pai e está do mesmo jeito que ele deixou”, destaca. Ainda hoje existe o interesse da população de se tornar independente também para conseguir recursos.
“Há alguns anos, houve um movimento e eu trabalhei intensamente, foi aprovado o nome na Assembleia (Legislativa), mas a lei não foi sancionada”, pondera. O nome da cidade, vale pontuar, vem das histórias populares sobre a reserva de água do distrito.
CRIAÇÃO E EXTINÇÃO DE MUNICÍPIOS NO CEARÁ
Entre os motivos para a criação de um municípios estão fatores culturais, econômicos e até interesses políticos. Muitos governantes usaram o processo, por exemplo, para homenagear personalidades ou buscar recursos federais.
Além disso, são obtidas vantagens por meio dos recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e a criação de cargos públicos para a administração da cidade. Isso servia, então, como estratégia de poder.
“Alguns municípios foram extintos por conta das chamadas leis isoladas. O Estado cria uma lei que extingue o município por vários motivos, mas sobretudo pela falta de condições de sustentar” analisa Rafaela Martins, gerente de Estatística, Geografia e Informações do Ipece.
Essa origem de “novas terras” aconteceu em um contexto de flexibilidade na legislação federal, que foi modificada para evitar o que especialistas chamam de farra dos municípios. No Ceará, os projetos de modificação do mapa foram organizados, pela primeira vez, há cerca de 70 anos.
Mas o desmembramento de territórios não acontece apenas por questões políticas, porque o processo também envolve o desejo da população de ser reconhecida oficialmente como uma cidade.
Fonte: Diário do Nordeste
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