Ceará
Acidentes com picada de abelhas crescem 90,6% no Ceará
Qualquer movimento atípico pode ser considerado uma ameaça para as abelhas. Tais insetos utilizam o ferrão, venenoso em algumas espécies, para se defender, e as reações no corpo humano a esse tipo de acidente podem ir de manchas nas pele à obstrução da garganta. Nos meses de janeiro a agosto deste ano, foram registrados 772 casos de picadas por abelhas, número 90,62% maior de acidentes se comparado a igual período do ano passado, quando houve 405 ocorrências. Os dados são da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa) e foram analisados pelo Núcleo de Dados do Sistema Verdes Mares.
Os casos são simples quando as abelhas são atraídas para o ambiente doméstico, ou mais graves ao se manipular colmeias. “Com o crescimento das cidades, e da oferta de alimentos, essas abelhas vêm e aumentam os encontros com humanos. A maioria das picadas são acidentes, mas existem aqueles casos que são provocados por uma perturbação feita às abelhas”, esclarece Breno Freitas, professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal do Ceará (UFC). Conforme o especialista, os acidentes em geral são com a espécie de abelha popularmente conhecida por melífera, ou africanizada, de nome científico Apis mellifera. Os insetos estão presentes no ambiente urbano e rural, e conforme a mudança climática provocada por chuva e estiagem, passam por um processo migratório.
Ataque
Quem viveu um episódio preocupante com abelhas foi o mototaxista José Neudo Carneiro, 56, quando uma colmeia foi derrubada pelo vento no quintal vizinho e invadiu a sua casa no Jardim Icaraí, em Caucaia. Em seguida, os insetos começaram a picar os cachorros que estavam presos no fundo da residência. “Quando percebi um enxame de abelha em cima deles, eu fui socorrer os cachorros, aí elas me atacaram. Não consegui mais ficar dentro da propriedade, pois estava tomada por abelhas”, lembra.
Um comerciante do local percebeu a situação e acionou o socorro, que levou o paciente para a Unidade de Pronto Atendimento, no Município. Na ocasião, o homem teve cerca de 20 picadas no corpo. “Quando a ambulância chegou, já tinha vomitado muito e não enxergava mais, estava inconsciente”, descreve José Neudo, que foi hospitalizado no último 31 de agosto e liberado no dia seguinte. Conforme o mototaxista, o Corpo de Bombeiros retirou o galho da mangueira onde as abelhas construíram a colmeia.
Em agosto, um enxame de abelhas atrasou o início da partida entre Fortaleza e Internacional, na Arena Castelão. Bombeiros foram chamados para remover os insetos, que se estabeleceram na bandeirinha de escanteio. Os agentes tentaram afastar os insetos do local, usando extintor de incêndio e jatos de água para lavar a bandeirinha, mas não conseguiram resolver a situação. Um funcionário do estádio teve de retirar a haste para a dispersão das abelhas.
Defesa
Originalmente, o ferrão das abelhas funcionava como um depósito de ovos. Agora, como um instrumento de defesa, quando acontece a picada, o órgão fica preso no corpo de quem foi ferido e o inseto morre. George Matos, alergologista, explica que a reação das picadas de abelhas pode ser uma simples urticária, com manchas vermelhas na pele, ou edemas localizados na face, nas mãos ou na glote, quando o paciente pode ficar sem conseguir respirar.
“O veneno sempre vai produzir uma inflamação, mas existem dois tipos de riscos: o indivíduo que não é alérgico, mas recebeu uma quantidade enorme de picadas de abelha e o alérgico que, em alguns casos, pode ter uma reação exagerada”, explica sobre os acidentes com abelhas.
Fonte: Diário do Nordeste
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