Dia-a-Dia com Maria
Elze Alves Lima Verde Montenegro- nesta data, representando as mulheres Iguatuenses (2016)
Em 1979, Iguatu relutava em arremessar mais um tronco de sua história pelos ares, fazendo qualquer coisa no ponto onde hoje se estabeleceu o início de sua fundação, o LAGO DA TELHA.
Uma mulher, visionária destacável, Elze Alves Lima Verde Montenegro teve a ideia de fazer diferente, temendo, como ela própria chegou a se pronunciar em carta aberta à sociedade Iguatuense, datada de 7 de outubro de 1979, pela “sorte de nossa querida Lagoa” e, prosseguindo, como sempre fora “a favor de marcos que a própria natureza encarregou-se de firmar nas terras escolhidas pelos nossos colonizadores para a Instalação da Vila da Telha” (referindo-se à iniciação da cidade), a grande dama do empreendimento cultural entregou ao então Prefeito Municipal da época, Sr. João Elmo Moreno Cavalcante, o local onde hoje é o lago da Telha, área de propriedade familiar, em termo com a cláusula que lhe daria a segurança de que ninguém faria desvio do objetivo específico da ação, por sinal, de imensurável valor histórico para as futuras gerações: “SE UM DIA ATERRAREM O LAGO, A ÁREA VOLTARÁ ÀS MÃOS DOS PRIMITIVOS DONOS OU DE SEUS HERDEIROS”.
Depois de firmada a doação, era difícil a execução da obra, faltava tudo, apesar da boa vontade manifesta pelo gestor municipal da época, no sentido de realizar o monumento preservacionista que firmaria os anais de Iguatu.
Elze Lima Verde, como mulher que, nesta data especial, poderá muito bem representar todas as últimas seis gerações, a quem não se admite ser esquecida, tendo em vista o pulso firme e a robustez com que deu asas à pequena urbe que se movia acanhada entre lagoas que, aos poucos, iam sendo aterradas, bem como à ganância dos grandes investidores que neste solo fizeram fortuna, mas que também foram os primeiros avassaladores do meio ambiente, fato inegável pelo próprio contexto histórico de eras anteriores nas quais se entendia que tudo era inesgotável, ilimitado.
Essa empreendedora, como ninguém mais por aqui, vislumbrou uma cidade na qual certamente não estaria mais a palmilhar suas ruas, olhando-a com sua lente que perscrutavam valente, sábia e defensora a cultura como um todo, mas que teria em seu contexto físico-estrutural, o ponto demarcatório de um começo.
Não fossem personalidades firmes como a dela, certamente não contaríamos com o nosso cartão postal mais precioso, ao redor do qual, começou a crescer a Vila da Telha com seus pequenos comerciantes, lavadeiras de roupas, a construção dos primeiros barracos, formando um cortiço necessário a uma população que se arranchava desordenadamente sem imaginar que um dia aquele aguaceiro lodoso seria um pequeno lago rodeado de palmeiras, por sinal, plantadas pelo Sr. Didi Couras, após ser construído, enfim, o Lago de terras doadas pela família do Dr. Montenegro, ato mediado pela nossa Super Mulher, Dona Elze Lima Verde.
Destaque-se que, nesse tempo da doação muito se discutia sobre a iniciativa e, como em toda cidade pequena os fuxicos são bem comuns, nossa heroína lavrou em muito bem traçadas linhas a carta aberta à sociedade iguatuense e lacrou-a cm uma dica ousada para quem vivia numa sociedade de preconceitos e machismos há quase quarenta anos:
“Para as pessoas medíocres, desocupados, que levam a vida a jogar o povo contra autoridades, o prefeito contra os amigos e vice versa, peço que procurem trabalho, aproveitem o leito fértil do nosso Jaguaribe, sejam úteis ao menos plantando batata”. (7 de outubro de 1979).
E assim, afirmo e repisarei quantas vezes considere oportuno, que se imortaliza a nossa benfeitora-mor, espetacular e SENHORA DAS NOSSAS MULHERES, Elze Alves Lima Verde Montenegro, de quem tive o prazer de ser aluna e que numa tarde de sexta-feira disse-me: “Quero você trabalhando comigo!” Infelizmente, os rumos foram dispersos, mas hoje estamos a brindá-la de coração.
Por fim, sugiro que no Lago da Telha seja posta sua estátua, confirmando a gratidão por essa nobre e inteligente construtora social.
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