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“Títulos do governo brasileiro valem o que prometem, diferentemente dos subprimes”, diz economista
João Sicsu, professor da UFRJ, lembra a participação da S&P, que rebaixou a nota de investimento do Brasil, na crise econômica de 2008, quando dava nota máxima ao papéis podres dos EUA.
A agência de risco Standard & Poor’s rebaixou a nota de investimento do Brasil na última quinta-feira (10). Pela primeira vez desde 2008 a empresa retirou o grau de investimento. Com isso o país não é mais considerado “bom pagador” pela agência.
O economista e professor da UFRJ João Sicsu questionou a importância das agências de risco após a crise de 2008, quando avaliava com o grau máximo de investimento os papéis do Lehman Brothers, que faliu meses depois.
“Em fevereiro de 2015, a S&P foi obrigada a pagar multa de US$ 1,37 bilhão às autoridades americanas pelo papel nefasto que desempenhou na crise financeira dos Estados Unidos de 2008, quando ela atestou nota máxima de segurança aos títulos subprime atribuindo à época triplo AAA. Agora, rebaixou a nota do Brasil de BBB- para BB+. Certamente títulos do governo brasileiro valem o que prometem, diferentemente dos subprime”, criticou.
O cientista político, historiador e indicado ao prêmio Nobel de literatura Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira aponta que as agências agem na desestabilização econômica dos países emergentes e estão “a serviço de especuladores subordinadas aos interesses econômicos e políticos de Washington e Wall Street”.
“Isto não significa que não haja no Brasil uma crise econômica, porém ela é muito mais agravada pela crise política e institucional, que abrange e envolve a Justiça e o Congresso’’, frisou.
Empresas
A agência Standard & Poor’s também diminuiu o rating de 31 empresas brasileiras entre estatais (Petrobras e Eletrobras) e privadas (Ambev e Grupo Globo). Os quatro maiores bancos nacionais (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Caixa) também foram atingidos.
A S&P já havia reavaliado as perspectivas de 30 companhias brasileiras no final de Julho. Na ocasião, a agência rebaixou as projeções de “estáveis” para “negativas”. Entre as rebaixadas naquela data, já estavam grandes bancos, a Ambev e o Grupo Globo. Naquele mês, a Petrobras, maior companhia estatal brasileira, teve sua nota mantida.
Fonte: Brasil de Fato
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