Brasil
MST ocupa sedes do Ministério da Fazenda em jornada por reforma agrária
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Sede do Ministério da Fazenda na Bahia está ocupado pelo MST | Foto: Reprodução[/caption]
O movimento denuncia o corte do governo no orçamento para a reforma agrária, o que deve travar a criação de novos assentamentos. Secretarias do Ministério da Fazenda em Brasília, Fortaleza, Curitiba, Recife, João Pessoa, Palmas, Florianópolis, Salvador e Porto Alegre foram ocupadas.

Sede do Ministério da Fazenda na Bahia está ocupado pelo MST | Foto: Reprodução
O movimento denuncia o corte do governo no orçamento para a reforma agrária, o que deve travar a criação de novos assentamentos. Secretarias do Ministério da Fazenda em Brasília, Fortaleza, Curitiba, Recife, João Pessoa, Palmas, Florianópolis, Salvador e Porto Alegre foram ocupadas.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realiza uma jornada de lutas por reforma agrária popular nesta semana. Ocupações de latifúndios, órgãos do governo, fechamento de rodovias e debates ocorrem por todo o país. Além de reivindicar a reforma agrária, os sem-terra se posicionam contra o ajuste fiscal e a política econômica do Governo Dilma.
“O ajuste fiscal do governo federal ameaça estagnar ainda mais o processo da reforma agrária no país, pois sem orçamento não há como o governo cumprir o compromisso político, assumido no início deste ano, de assentar 120 mil famílias sem-terra acampadas no Brasil”, afirma Alexandre Conceição, da coordenação nacional do MST.
Em Brasília (DF), cerca de 2 mil trabalhadores ocuparam nesta segunda-feira (3) o Ministério da Fazenda, contra o ajuste fiscal do governo federal. O MST denuncia que o governo cortou quase 50% dos recursos da Reforma Agrária – de R$ 3,5 bilhões sobraram apenas R$ 1,8 bilhão.
Durante todo o dia, as sedes do Ministério da Fazenda em Fortaleza (CE), Curitiba (PR), Recife (PE), João Pessoa (PB), Palmas (TO), Florianópolis (SC), Salvador (BA), Porto Alegre (RS), Aracaju (SE), São Luiz (MA) e Rio de Janeiro (RJ) também foram alvos de protestos.
De acordo com a integrante da coordenação nacional do MST, Sílvia Reis Marques, no Rio Grande do Sul existem “mais de 2.500 famílias acampadas, algumas há mais de 10 anos, e também pautamos o Plano Camponês, que é um projeto de produção de alimentos saudáveis para nossas famílias e para a população”.
Ocupações e trancamentos
Em São Paulo, no domingo (2), 200 sem-terra ocuparam a Fazenda Santo Henrique, pertencente à empresa Cutrale, entre os municípios de Iaras, Borebi e Lençóis Paulista, no interior paulista. Essa é a 15ª vez que a propriedade da Cutrale, a maior produtora de laranja do país, é ocupada nos últimos 20 anos. Os manifestantes denunciam a grilagem de 2,6 mil hectares de terra pela empresa.
Cerca de 280 famílias sem-terra ocuparam a Fazenda São Benedito, com mais de 1.500 hectares, em Córrego do Salo, no extremo-sul da Bahia. A área, pertencente a empresa do agronegócio J.U. Ungaro Agro Pastoril era uma antiga plantação de café, que atualmente encontra-se abandonada. Além disso, unidades da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nos municípios de Itaberaba, Ribeira do Pombal e Entre Rios também foram ocupadas.
Segundo Evanildo Costa, da direção estadual do MST, “são mais de 40 ocupações nos grandes latifúndios existentes na Bahia, nove delas foram no extremo-sul. E, para esse mês de agosto, os sem-terra intensificarão a luta contra o ajuste fiscal e o corte no orçamento”.
Em Minas Gerais também ocorrem mobilizações nesta manhã, com duas rodovias trancadas pelo MST, com mais de 5oo trabalhadores rurais, nas regiões do Triângulo e Norte de Minas. No Pará, 2 mil trabalhadores ocupam uma ferrovia da mineradora Vale do Rio Doce. No Mato Grosso, cerca de 400 camponeses realizam uma marcha pela de Jaciara. No interior do Paraná, os trabalhadores rurais promovem manifestações em cinco pedágios. Protestos também foram registrados no Rio Grande do Norte.
Na cidade de Ji-Paraná, em Rondônia, o protesto iniciou com a ocupação do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), pela manhã, com mais de 800 famílias camponesas. Depois, os manifestantes ocuparam a secretaria do Ministério da Fazenda. No local, de acordo com informações do MST, quatro viaturas da Polícia Militar atacaram os sem-terra com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. Segundo relatos, um militante foi atropelado por uma das viaturas e outro foi atingido na perna por uma bala de borracha; ambos estão hospitalizados, mas pasam bem. Além disso, seis pessoas foram detidas, sendo que duas foram liberadas e quatro seguem na delegacia; advogados acompanham o caso. Neste momento, os sem-terra encontram-se acampados no prédio do Incra.
Em Maceió (AL), o ato foi uma marcha com mais de 3 mil sem-terra. Além da pauta nacional, os manifestantes reivindicam a destinação das terras do grupo João Lyra para assentamentos da reforma agrária. “Queremos fazer cumprir a função social da terra, princípio constitucional que orienta a destinação à Reforma Agrária de imóveis rurais que não produzam, ou ainda que possuam dívidas”, disse José Roberto, do movimento no estado.
O MST informou que as mobilizações da Jornada de Lutas pela Reforma Agrária Popular irão ocorrer até o final da semana.
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