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Kassab lança Caiado para presidente! O que podemos esperar?

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A jornalista Miriam Leitão fez uma crítica direta ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao questionar a coerência de se declarar defensor da democracia — sistema no qual construiu toda a sua carreira política — enquanto evita reconhecer o caráter da ditadura instaurada após o Golpe de 1964. A fala expõe uma contradição recorrente no debate público: não basta afirmar compromisso com a democracia, é necessário reconhecer seus marcos históricos e institucionais.

No mesmo contexto, Caiado tem defendido a anistia para envolvidos nos Ataques de 8 de janeiro de 2023, incluindo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, essa proposta encontra barreira direta na Constituição Federal de 1988, especialmente no artigo 5º, inciso XLIV, que estabelece como crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos contra a ordem constitucional e o Estado Democrático. Além disso, qualquer anistia depende do Congresso Nacional, não sendo uma decisão individual de um governante. Soma-se a isso o fato de que a Lei nº 14.197/2021 tipifica crimes como golpe de Estado e abolição violenta da ordem democrática, reforçando o entendimento de que esses atos são extremamente graves — o que dificulta juridicamente qualquer tentativa de anistia ampla.

No campo político-eleitoral, Caiado se movimenta com vistas a 2026 e deu um passo decisivo nesse sentido ao se filiar ao Partido Social Democrático em 14 de março de 2026, legenda liderada nacionalmente por Gilberto Kassab, com o objetivo de disputar a Presidência da República. A estratégia é se apresentar como alternativa à polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva e o bolsonarismo. Embora haja narrativa de que ele buscaria atrair eleitores desse campo — inclusive disputando espaço com Flávio Bolsonaro —, é importante destacar que o principal polo da direita ainda gira em torno de Jair Bolsonaro.

A estratégia discursiva do governador passa pela promessa de “acabar com a polarização” e pela afirmação de que qualquer candidato venceria Lula em um eventual segundo turno. Essa leitura, porém, é mais retórica política do que análise baseada em dados, já que o presidente mantém uma base eleitoral consolidada e desempenho variável conforme o adversário.

No campo histórico, seu avô, Antônio Ramos Caiado, teve atuação relevante nas disputas oligárquicas da Primeira República, incluindo episódios de tensão armada em Goiás por volta de 1909. Esse contexto reflete uma lógica típica do período, marcada pelo coronelismo e pela concentração de poder nas elites regionais.

No presente, porém, a crítica recai menos sobre herança familiar e mais sobre posicionamentos públicos: ao não reconhecer o Golpe de 1964 como uma ruptura democrática, Caiado adota uma leitura que relativiza um dos principais marcos autoritários da história recente do país. É esse contraste — entre o discurso de defensor da democracia, onde construiu sua trajetória, e a relativização de um período ditatorial — que alimenta questionamentos sobre a consistência de seu compromisso com valores democráticos.

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