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Denúncia sobre “servidores fantasmas” pode virar investigação no Ministério Público em Iguatu

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Iguatu, Ceará – 08/05/2026 – Uma denúncia protocolada pela vereadora Alana Cristina Alves David contra o prefeito Carlos Roberto Costa Filho pode abrir uma nova frente de crise política e administrativa em Iguatu.

O documento entregue ao Ministério Público questiona a existência de cerca de 70 supostos “servidores fantasmas” entre aproximadamente 600 cargos comissionados da Prefeitura. A denúncia afirma que essas pessoas teriam permanecido recebendo salários por cerca de 16 meses sem exercer efetivamente suas funções.

Segundo a peça, os nomes estariam concentrados principalmente em municípios como Saboeiro, Tauá e Catarina. A denúncia foi construída a partir de informações divulgadas publicamente pelo jornalista Donizete Arruda.

O ponto central da denúncia

O núcleo da acusação não está apenas na existência dos supostos fantasmas, mas no tempo em que eles teriam permanecido vinculados à máquina pública.

A vereadora sustenta que a gestão não pode apresentar a descoberta como prova de eficiência administrativa após quase um ano e meio de governo. Para a denúncia, a demora em identificar o problema revelaria duas hipóteses igualmente graves:

  • ou houve conivência;
  • ou houve negligência extrema no controle da estrutura administrativa.

O documento afirma ainda que a transição entre a gestão do ex-prefeito Ednaldo Lavor e a atual administração ocorreu de forma amigável e coordenada, o que, segundo a denúncia, teria garantido amplo acesso às informações da folha de pagamento e do quadro funcional.

Quais crimes e irregularidades são apontados

A denúncia pede investigação por:

  • improbidade administrativa;
  • dano ao erário;
  • violação aos princípios da administração pública;
  • possível crime de responsabilidade;
  • desvio da finalidade dos cargos comissionados.

O texto sustenta que manter servidores fantasmas recebendo recursos públicos configuraria despesa sem contraprestação de serviço, causando prejuízo ao município.

A peça também levanta suspeitas sobre possível utilização política dos cargos comissionados e pede que sejam investigados eventuais acordos políticos envolvendo a manutenção das nomeações herdadas da gestão anterior.

Chances de virar investigação são altas

Na avaliação jurídica e política do caso, as chances de o Ministério Público abrir ao menos um procedimento preliminar de investigação são consideradas altas.

Isso porque o caso envolve:

  • possível dano ao erário;
  • denúncia formal protocolada;
  • repercussão pública;
  • números específicos;
  • e pedidos objetivos de documentos e informações.

Entre os documentos solicitados pela vereadora estão:

  • folhas de pagamento;
  • lista nominal dos supostos fantasmas;
  • portarias de nomeação;
  • relatórios de recadastramento;
  • atos da transição de governo;
  • e cálculo do prejuízo ao erário.

O que pode pesar contra ou a favor da gestão

Apesar da repercussão política, especialistas apontam que a denúncia ainda depende de provas concretas para sustentar eventual ação de improbidade administrativa.

Isso porque morar em outro município não caracteriza automaticamente alguém como servidor fantasma. Em cidades do interior é relativamente comum servidores comissionados residirem em cidades vizinhas.

Para comprovar irregularidade, seria necessário demonstrar:

  • ausência de expediente;
  • inexistência de atividade funcional;
  • falta de prestação de serviço;
  • ou recebimento indevido de salários.

A defesa da Prefeitura pode sustentar que:

  • os servidores exerciam funções externas;
  • havia atividades políticas e administrativas;
  • os cargos eram de confiança;
  • e que o recadastramento foi justamente uma medida de controle e regularização.

Crise política aumenta pressão

A denúncia surge em meio:

  • às exonerações em massa promovidas pela Prefeitura;
  • à crise envolvendo a folha de pagamento;
  • ao clima de insegurança entre servidores;
  • e às discussões sobre dificuldades financeiras da administração.

Nos bastidores, o caso já é visto como uma tentativa de transformar o discurso da gestão sobre “combate aos fantasmas” em argumento de desgaste político.

Se a investigação avançar e nomes forem oficialmente identificados, a crise pode atingir diretamente:

  • aliados políticos;
  • secretários municipais;
  • grupos responsáveis por indicações;
  • e estruturas de apoio da atual administração.

Por enquanto, o Ministério Público ainda deverá analisar se existem elementos suficientes para instaurar procedimento formal de investigação.

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