Ceará
Soldador cria escultura de girafa com 4 m de altura e de elefante com 2 toneladas usando ferro reciclado no Ceará
Um elefante que pesa duas toneladas, uma girafa de 4,7 metros e até um dinossauro. Essas são algumas das esculturas feitas pelo soldador Edismar Arruda, morador de Jaguaribara, no Ceará. Todas as peças são produzidas com ferro reciclável principalmente de sucata automotiva.
O escultor encontra inspiração nos itens que seriam descartados e transforma em arte o que para muitos seria lixo. Ele, que tem 34 anos, é filho de canoeiro, mãe agricultora e irmão de outros sete — um já falecido.
“A matéria-prima é, em sua maioria, peças automotivas, mas é ferro em geral. O ferro que eu encontro e está ainda em bom estado, ou até mesmo enferrujado, eu faço um processo de limpeza e começo a fazer as peças”, explica o escultor.
O escultor é proprietário de uma metalúrgica no município e constrói as esculturas há anos. “A minha primeira peça surgiu em um domingo, porque eu não gosto de ficar parado. Eu peguei um rolamento e outras peças e fiz uma miniatura de moto. Eu não gostei muito, não achei bonita e deixei para lá, joguei em cima da mesa”, relembra Edismar.
“As pessoas me perguntam muito de onde eu tirei esse dom, mas eu não sei responder. Acho que já nasci assim”, diz.
No outro dia, um cliente da metalúrgica viu a miniatura, parabenizou pelo trabalho e sugeriu que Edismar pesquisasse mais sobre artesanato com metal. Ele obedeceu e se encantou pela técnica.
“Eu fiz um jacaré e levei para uma feira de artesanato em Fortaleza. Lá, uma pessoa viu e ligou para mim querendo comprar o jacaré, mas eu não vendi, só que eu disse que poderia fazer uma para ele”, disse o escultor. Esse cliente já tem nove peças feitas por Edismar, todas expostas em uma loja no Porto das Dunas, praia em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza.

Talento desde criança
Edismar nasceu em uma família pobre onde teve de dividir a casa, os brinquedos e até o material escolar com os sete irmãos mais velhos. Com isto, ele despertou ainda pequeno a vontade de criar os próprios objetos, que iam de carrinhos de brinquedo até instrumentos musicais.
“Eu desenvolvi a técnica ainda quando era criança. Na minha infância, eu não tinha condições, minha família era muito humilde. A gente tinha de dividir tudo, até os brinquedos. E naquela época, a gente não ganhava muito brinquedo. Minha mãe tinha de comprar comida e material escolar”, relembra o escultor.
A cidade onde Edismar morava, a antiga Jaguaribara, foi inundada para a construção da barragem do Açude Castanhão, há 20 anos. Com isto, o escultor e a família foram algumas das cerca de oito mil pessoas que tiveram de mudar de endereço, saindo dos municípios de Jaguaribara, Jaguaretama, Alto Santo e Jaguaribe.

Trabalho na adolescência
No endereço novo, ele começou a trabalhar como mecânico em uma oficina, com cerca de 14 anos, ganhando uma renda mensal de R$ 60. “Só que eu não ficava parado. Todo domingo eu pegava serviço por fora porque R$ 60 é muito pouco, aí eu pintava bicicletas”, relembra o artista.
Ele comenta que, depois, aos 18 anos, uma empresa buscava funcionários para trabalhar na limpeza do canal do Eixão das Águas. Ele foi contratado e passou sete anos como funcionário — no terceiro, conseguiu a certificação de soldador. Depois, decidiu abrir o próprio negócio
“A metalúrgica que eu coloquei foi no quarto da minha casa. Meu primeiro serviço foi consertar uma churrasqueira”, rememora Edismar.
Nessa época, ele já era casado com Jane Nogueira Alves Arruda, com quem mantém o relacionamento até hoje. Edismar demonstra gratidão à mulher, relembrando que ela sempre o ajudou, mesmo trabalhando como empregada doméstica em uma casa onde ela ganhava R$ 50 por mês.
O artista explica que ainda não vive financeiramente só da arte, que mantém a metalúrgica, mas tem planos de trabalhar exclusivamente como escultor. Edismar diz que, inclusive, já recebeu convites para expor as peças em outros estados e até mesmo fora do Brasil, como nos Estados Unidos, Suécia e Irlanda.
Fonte: G1 CE
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