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Crianças e redes sociais: definir limites, sem levar ao isolamento
Mais de 70% das crianças brasileiras têm acesso facilitado a tablets e celulares, mas 80% dos pais não monitoram o que elas veem
Para os nascidos nesta última década, a adaptação ao mundo digital vem quase que naturalmente. Uma pesquisa feita pela Kaspersky mostrou que 49% das crianças brasileiras de até seis anos têm acesso a aparelhos eletrônicos, como tablets e celulares. E, até completarem dez anos, 73% delas ganham o próprio aparelho.
O mesmo estudo revela que 56% das crianças brasileiras têm conta em ao menos uma rede social. Isso apesar de redes como Facebook, Instagram e YouTube, por exemplo, determinarem a idade mínima de 13 anos para criar um perfil.
Para burlar esse limite, é preciso mentir. O que sugere que as crianças abrem contas sem que os pais saibam que esse limite existe. Ou que os responsáveis concordam que elas informem uma idade falsa. No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados, em seu artigo 14, destaca que os pais precisam autorizar as redes sociais a utilizar os dados das crianças e adolescentes.
Para Evelyn Eisenstein, do Grupo de Trabalho sobre Saúde na Era Digital, da Sociedade Brasileira de Pediatria, a rede social não deve ser um espaço para crianças. “Rede social não foi feita para crianças. Por não terem a idade mínima, já não deveriam estar lá”, afirma a médica.
Na opinião de Arthur Igreja, especialista em segurança digital, “os pais precisam ter uma vigilância e uma atuação muito próximas, com conversas objetivas com as crianças. Ou estarão terceirizando essa função para os algoritmos e políticas das redes sociais”.
Algoritmos que, ao contrário do que muitos pensam, também falham, segundo Luís Mauro Sá Martino, professor de Comunicação da Faculdade Cásper Líbero: “Mesmo com algoritmos e a personalização de conteúdos, nada impede que, de repente, apareça uma recomendação de vídeo ou postagem fora do universo infantil. Ainda não temos filtros perfeitos”.
Para evitar que a criança se depare com conteúdos problemáticos, é preciso que os pais monitorem e acompanhem o que ela está consumindo nas redes sociais. Segundo a pesquisa da Kaspersky, cerca de 80% dos pequenos criam o perfil e o acessam sem monitoramento dos pais.
Evelyn Eisenstein destaca que as redes sociais são um espaço público e demandam zelo não apenas dos pais. “Não se pode deixar uma criança com uma tela sem que se saiba o que ela está consumindo. É uma via de várias mãos, é precisa o apoio dos pais, dos educadores, do governo e das plataformas.”
Além de alertar para o problema de acesso a conteúdo inadequado e exposição nas redes, a pediatra chama a atenção para problemas de saúde que podem ser desencadeados pelo uso de redes sociais por crianças. “Transtornos no sono e alimentação, irritabilidade, alteração de humor, ansiedade e risco de suicídio, além de elas estarem sujeitas à pedofilia e à pornografia”, disse.
Arthur Igreja destaca que o diálogo é fundamental para evitar problemas. “O ideal é encontrar um equilíbrio. É muito importante ter conversas francas para que as crianças entendam as consequências, que podem não ser evidentes em curto prazo. É uma construção, uma trajetória, e a variável de controle chama-se maturidade”, afirma.
Luís Mauro ressalta que ter um controle sobre o tempo de tela é importante. “O que faço com meu filho, por exemplo, é limitar tempo de tablet e jogos digitais: poucas horas por dia nos finais de semana, férias e feriados. Acesso à internet, só com a gente perto (ou para atividades da escola, em sites indicados).
E, principalmente, tentamos não ficar ao celular o tempo todo: crianças aprendem pelo exemplo e, se minha esposa e eu ficarmos 24 horas por dia nas redes, não teremos como dizer “não” a ele”, afirma o professor
Fonte: Monitor R7
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