Política
Weintraub é processado pelo MPF e pode perder os direitos políticos
O ex-ministro da Educação Abraham Weintraub foi processado pelo Ministério Público Federal (MPF) por improbidade adminstrativa. Ele é acusado de atentar contra princípios da administração pública por, segundo o MPF, ter feito reiteradas declarações sobre as universidades públicas brasileiras enquanto era ministro. Se condenado, Weintraub pode ter os direitos políticos suspensos, além de pagar multa.
Para o Ministério Público, as declarações tiveram o claro propósito de desacreditar o serviço prestado por essas instituições de ensino. Entre as declarações citadas pela denúncia está uma entrevista em que o ex-ministro disse que algumas instituições possuíam plantações extensivas de maconha, inclusive com uso de agrotóxico para o cultivo. A fala foi repetida na Câmara, mesmo sob alerta de deputados de que o fatos eram isolados e estavam distorcidos.
Durante as investigações, Weintraub enviou cópias de reportagens sobre pés de maconha na UFRGS, na Unimontes e em uma área próxima à UnB — onde havia a maior quantidade de pés da droga: uma dúzia. “Vê-se, portanto, que a suposição genérica do ministro se deu a partir de casos simplórios, pontuais e isolados de consumo e tráfico de drogas em ambientes universitários. Em todos os casos, a polícia atuou dentro dos campi, ao contrário do que fez crer o requerido”, sustenta o MPF.
O Ministério Público ainda salienta que “o aporte de recursos, investimentos em pesquisas, oferta de bolsas a acadêmicos, por parte de organismos internacionais ou instituições congêneres estrangeiras depende, sobretudo, da boa imagem das instituições de ensino”. A denúncia também lembra que Weintraub nunca se retratou das acusações nem apresentou provas que pudessem embasar suas convicções. Por fim, o MPF destaca que as falas de um ministro de Estado sobre sua área têm peso relavante.
“É preciso reconhecer que os pronunciamentos de agentes públicos e políticos, notadamente da cúpula dos Poderes, não são inocentes e podem gerar graves consequências positivas e negativas”, argumenta a denúncia.
Outro lado
Sem citar o MPF, Weintraub se manifestou nas redes sociais, dizendo que “querem tirar” seus direitos políticos “por falar que há drogas nas universidades”. “O mecanismo quer destruir os Weintraub. Eles viram nossa força contra as estruturas podres, nossa capacidade executiva, que somos incorruptíveis e que não tememos o mal. Estão apavorados com a possibilidade de nosso retorno. Eu e Arthur Weintraub vamos voltar. Liberdade e Justiça”, escreveu o ex-ministro.
Fonte: SBT Jornalismo
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