Ceará
Seca de 2013 pode comprometer 100% da safra de grãos no Ceará
Em 2013, foi plantado apenas 40% da média estadual. Se chover em março pode ser que parte desse plantio se salve, diz presidente da Federação de Agricultores.
Em 2013, foi plantado apenas 40% da média estadual. Se chover em março pode ser que parte desse plantio se salve, diz presidente da Federação de Agricultores.
Após um 2012 de dor, o sertanejo pede aos santos que chova. O começo está difícil. De acordo com previsão da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), a expectativa é de pouca chuva, apesar do cearense ter se alegrado com precipitações nos últimos dias. Nesta quinta-feira (21), por exemplo, choveu em 80 municípios.
Mas as gotas de esperança continuam sendo poucas e o agricultor já sente o prejuízo da seca em 2013. O presidente da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará (Febraece), Moisés Braz, esteve reunido em Fortaleza, na manhã desta quinta, com representantes das oito coordenadorias das entidades espalhadas pelo estado. Foram contabilizados os prejuízos causados pela falta de chuvas e, num balanço geral, a estimativa é de que que não haja safra de grãos no Ceará em 2013.
O dado é grave, principalmente porque 70% do mercado consumidor interno no Ceará é abastecido pela agricultura familiar, segundo Moésio Braz. Ele acredita que, produtos como feijão, farinha de mandioca e hortaliças apresentem aumento considerável de valor, na cesta básica, dentro dos próximos 30 dias. “Não choveu o suficiente para que fosse plantado”, diz e comenta que “as chuvas de fevereiro não animaram o agricultor que já perdeu tanto” e teve medo de mais prejuízos.
O presidente da Febraece calcula que, em 2013, foi plantado apenas 40% da média estadual. “Se chover em março pode ser que parte (desse plantio) se salve”. Ele disse que tem esperanças, mas que as expectativas não são muito boas. A federação aponta que as lavouras da região do Cariri, no sul do estado, já se perderam e a esperança que resta é referente às da região norte, onde as chuvas chegam um pouco mais tarde, pelo final deste mês.
Moésio Braz comenta, ainda, sobre o medo dos agricultores com um colapso no interior do estado por conta da estiagem, tanto nas regiões ruais quanto nas urbanas. A federação está buscando uma audiência com o governador Cid Gomes para pedir medidas emergenciais como a liberação de recursos do Projeto São José e a perfuração de poços profundos.
O investimento é de R$ 41 milhões, recursos oriundos do Projeto São José III, parceria entre o Estado e o Banco Mundial que nesta etapa vai beneficiar 11.297 famílias cearenses. Ao todo, o Projeto de Desenvolvimento Rural Sustentável – PDRS/São José III conta com US$ 300 milhões financiados pelo Estado do Ceará junto ao Banco Mundial. A contrapartida do Estado é de US$ 100 milhões.
Fonte: Tribuna do Ceará
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