Este é o último final de semana de férias escolares para maioria dos estudantes no Ceará. Motivo para muita gente desfrutar com familiares e dar aquele último mergulho no mar ou represa mais próxima antes de voltar à rotina de estudos. Porém, atenção é necessária para evitar fatalidades. Em média, quatro pessoas morreram afogadas por semana, em 2019, no Ceará. No Brasil, esse tipo de fatalidade ocorre a cada 92 minutos.

Conforme dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), em todo o território cearense, cinco pessoas a cada semana tiveram as mortes provocadas por afogamentos em 2018. Em números absolutos, ano passado 228 pessoas faleceram afogadas; no ano anterior, 261. Redução de 12,6%. Os números são relacionados a ocorrências em diversos locais como praias, rios, açudes e outros, inclusive em propriedades privadas. Em Fortaleza e Região Metropolitana, a retração foi de 3,4%. Sendo 113 no ano passado, e 117 no retrasado.

Também diminuíram os afogamentos não fatais registrados pela Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops). De acordo com as informações do órgão, que abrangem apenas Fortaleza e Região Metropolitana, a baixa foi de 3,7%. Em 2018, foram 186 casos, enquanto no ano passado esse número reduziu para 179. De acordo com a SSPDS, nem todos os casos geraram deslocamento de equipe bombeirística.

Tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará, Osvaldo Pereira lista ao menos três fatores agravantes para o risco de afogamento. Em Fortaleza, ele aponta o calor intenso e o tempo abafado como atrativos para levar indivíduos às praias. O que aumenta o fluxo de pessoas e dificulta o monitoramento. No interior do Estado, durante a quadra chuvosa, o acréscimo de águas pluviais nos mananciais. Além disso, o período de férias escolares também é determinante para ocorrências.

Além das motos aquáticas, o tenente-coronel Osvaldo Pereira destaca o trabalho feito pela Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer). Dados da SSPDS dão conta de que as aeronaves da Coordenadoria atenderam cinco ocorrências de afogamento em 2018; e oito, no ano seguinte. O apoio das equipes de trabalho aéreo, afirma Osvaldo, ocorrem principalmente em horário de picos. Entre 11 horas e 13 horas; e, depois das 16 horas.

Outro auxílio importante para monitorar fluxo de retorno do mar e salvar indivíduos é o uso de drones. No interior, onde o número de salva-vidas e o aparato tecnológico é menor, a estratégia é atuar na prevenção dos acidentes. Conforme Osvaldo, há remanejo da equipe bombeirística em casos onde o fluxo de pessoas é maior.

Outra frente de atuação é o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Dados da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) apontam que o Samu Ceará atendeu 147 casos por afogamentos ano passado. No anterior, foram 140. Em 2017: 155. Conforme o coronel João Vasconcelos, diretor do Samu Ceará, a maioria dos atendimentos ocorreram em açudes. O gestor ranqueia ainda as cidades onde mais ocorrem os eventos: Beberibe, Canindé, Cascavel e Caucaia.

Conforme relato de Vasconcelos, o período para maior número desse tipo de acidente com mortes é no período chuvoso, além do Carnaval e Semana Santa. “Uma das maiores dificuldades é encontrar o endereço correto do fato. Geralmente, a pessoa fica nervosa e não consegue dizer onde está acontecendo.” Além disso, João Vasconcelos aconselha ligar para o Samu e Corpo de Bombeiros assim que perceber alguém perdendo o controle de si dentro das águas.

Entre as memórias mais latentes, o médico emergencista Valderi Júnior destaca um caso em que uma família inteira se vitimou. Segundo o relato do profissional, um filho se afogou. O pai foi querer salvar, não conseguiu. Desesperado, o irmão do primeiro foi tentar ajudar e não resolveu. Os três faleceram.

“Você vê e se desespera. Só porque acha que sabe nadar, pensa que vai conseguir retirá-lo. Vai lá, tenta e acaba sendo vitimado também. Se você não possui treinamento aquático específico, não se aventure em rios, represa ou açudes porque as chances de você ser mais uma vítima é muito alta”, pontua Valderi, vice-presidente da Cooperativa de Atendimento Pré e Hospitalar (COAPH).

Entre os problemas encontrados nesses espaços de lazer, ele ranqueia o número desproporcional de pessoas para salva-vidas monitorarem. Além da oferta desenfreada de bebidas alcoólicas, que contribuem para ocorrência de fatalidades. Valderi aponta que locais onde estatisticamente o turismo é maior as chances de afogamento estão nas mesmas proporções. O médico cita como exemplo as praias de Camocim, Aracati e Jericoacoara.

Fonte: O Povo