Ceará
Professores e estudantes ocupam Secretaria de Educação no Ceará
Já são 65 escolas e três sedes da secretaria ocupadas em 38 dias de greve de professores.
“Quando a gente começou com o movimento da greve, o governador Camilo falava que não tinha condições de dar nada, nenhum reajuste. A greve não começou só por reajuste”, observou Vítor Maia, um dos professores da Rede Estadual de Ensino, que desde a última quinta-feira (2) está ocupando o prédio da Secretaria de Educação do Estado do Ceará (Seduc).
Pelo menos mil estudantes e professores ocuparam a sede da secretaria, somando ao movimento das 65 escolas já ocupadas em todo o estado. O grupo pretende seguir pressionando o governador Camilo Santana (PT) e o secretário de educação Idilvan Alencar por reajuste salarial, o retorno de projetos de referência de ensino-aprendizagem e o aumento do repasse para a merenda escolar dos adolescentes e jovens estudantes.
“A gente tá querendo através dessa ocupação cercar nossa greve de solidariedade. Denunciar como é que os filhos dos trabalhadores estão sendo tratados pelo governo. A cidade que mais mata jovens no Brasil oferece uma merenda de 30 e poucos centavos por aluno por dia, que não dá pra comprar absolutamente nada”, ressaltou o professor de história, Herbert de Souza.
A expectativa é que o governador chame uma nova mesa de negociação. Segundo os professores, as propostas feitas por Camilo Santana até agora não atendem a necessidade das escolas e do movimento. “A greve começou e a gente percebeu que tá sendo uma luta que está dando alguns frutos. O governo falava que não poderia dar nada, mas depois da greve apareceram algumas propostas, ainda não nos contempla, mas nos mostra que a luta tem um futuro”, levantou Vítor Maia.
Na sexta-feira (3), estudantes e professores também ocuparam a sede das Coordenadorias Regionais de Desenvolvimento da Educação (CREDEs) 18 e 19, nas cidades do Crato e Juazeiro do Norte, no região do Cariri. “Nesse momento é crucial que nós tomemos uma postura mais acirrada em relação a esse governo que realmente não comunga, não compartilha, somente informa. Uma postura realmente de enfrentamento contra todo esse desmonte, em relação à escola pública, a nossa própria condição de professor, funcionário público”, declarou Márcia Regina, professora há 25 anos, e uma das ocupantes do prédio da Seduc.
A categoria solicita reajuste de 12,67%, assim como a convocação dos professores reclassificados no concurso de 2013, a implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), ampliação definitiva da carga horária e a efetivação dos direitos de estabilidade.
A presença dos estudantes têm sido considerada o diferencial no movimento pela garantia da educação pública e de qualidade. Dentre as pautas de reinvidicação, a juventude também quer o aumento da verba para merenda escolar, além de reforma nas escolas, passe-livre para estudantes, aumento de verbas para projetos pedagógicos e culturais e estudo das questões de gênero na grade curricular.
Para os estudantes e professores, as ocupações dos prédios da Seduc sinalizam que a luta deve continuar de forma conjunta, agregando cada vez mais pessoas, inclusive os pais dos alunos. “A gente está com 38 dias de greve, já está enfrentando decisão judicial desde o dia 16 de maio, suspensão da greve com multa diária de R$ 3 mil para o sindicato. Permaneceremos, não vamos arregar. Esperamos que a ocupação fortaleça a greve de conjunto”, esclareceu o professor de geografia, George Bezerra.
Fonte: Brasil de Fato
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