Regional
Pesquisadores encontram composto anti-inflamatório para tratar demência em planta do sertão do Ceará
Vem de uma planta nativa do sertão cearense, uma espécie da família das açucenas, a esperança de desenvolvimento de um novo fármaco com propriedade anti-inflamatória e para tratamento de sintomas da demência, como a perda de memória.
Pesquisadores da Embrapa Agroindústria Tropical no Estado e da Universidade Federal do Ceará (UFC) conseguiram domesticar a produção do vegetal e identificar a presença da galantamina, um alcaloide que já é usado em tratamento de pacientes com doenças de Alzheimer e Parkinson.
O estudo deve favorecer a busca de alternativas para agregar valor à biodiversidade da Caatinga e ao vegetal, ampliar renda de pequenos agricultores e favorecer a produção futura de um fitoterápico.
Nativa dos municípios de Pacatuba e Moraújo, no Ceará, a Hippeastrum elegans é conhecida popularmente como açucena, lírio, tulipa, cebola-do-mato, cebola-berrante e flor-da-imperatriz.
Os pesquisadores identificaram quatro diferentes alcaloides ao longo de 15 meses de cultivo: sanguinina, narciclasina, pseudolicorina e galantamina.
O pesquisador da Embrapa, Kirley Canuto, que coordena a pesquisa, frisou que por ser nativa do sertão nordestino, “a planta é bem-adaptada às condições climáticas da região. “Favorece o seu cultivo e desenvolvimento”, pontuou Canuto. “É uma planta muito promissora para fins farmacêuticos e podemos ter um retorno em médio prazo, três anos, para produção industrial”.
O estudo envolveu agrônomos, químicos, biomédicos e farmacêuticos e revelou que a composição química dos bulbos de açucena variou dependendo da época de colheita, impactando suas atividades farmacológicas.
A agrônoma e pesquisadora da Embrapa Rita de Cássia Pereira pontuou a descoberta de que na fase de floração há alta produção do alcaloide, que transcorre em dezembro e janeiro. “A novidade é encontrar esse alcaloide em uma planta silvestre, do sertão cearense”.
A pesquisa de campo já foi concluída. “Identificamos também a forma de cultivo e descobrimos que com um quarto do bulbo (parte subterrânea, que lembra uma cebola) é possível produzir novas mudas”, contou Rita de Cássia.
A atividade anti-inflamatória encontrada no vegetal foi comprovada em células de defesa do sangue humano (neutrófilos) e do sistema nervoso central de roedores (micróglias).
A professora da Faculdade de Farmácia e pesquisadora da UFC Geanne Matos explicou que “a pesquisa em laboratório foi muito promissora a partir do isolamento da galantamina e de testes in vitro e em camundongos”.
Anteriormente, já havia registros científicos sobre a presença de substâncias de interesse farmacológico na variedade, isto é, os alcaloides, que são substâncias psicoativas. Exemplos: cafeína, nicotina, morfina e a cocaína.
A professora Geanne Matos, que coordenou uma das fases dos estudos, explicou que a enzima acetilcolinesterase degrada a acetilcolina, um neurotransmissor que age nas funções cognitivas. O extrato vegetal foi capaz de diminuir a ativação celular e a secreção de mediadores inflamatórios, sem causar citotoxidade.
Um medicamento precisa ser seguro e eficaz, lembrou a professora Geanne Matos. “Vejo que a pesquisa demonstrou a presença da substância que já tem comprovação em literatura médica e farmacêutica para tratamento dos sintomas da demência e se houver viabilidade em custo e benefício poderá ser desenvolvido um fitoterápico por uma indústria farmacêutica, trazendo benefícios para população de baixa renda, que sofre com demência”.
PESQUISA
Os fármacos usados para o controle de doenças degenerativas como “Alzheimer têm como princípio a inibição a enzima e o consequente aumento na disponibilidade de acetilcolina, o que resulta na melhoria cognitiva”, demonstra a pesquisa.
Os pesquisadores adiantaram que em breve, o extrato mais bioativo do vegetal será testado em modelo experimental in vivo de amnésia.
Inicialmente, o extrato oriundo da açucena foi testado em neutrófilos humanos (as primeiras células de defesa ativadas no sistema imune). A ativação intensa dessas células está associada doenças como asma severa, artrite reumatoide e Covid-19.
O objetivo do estudo é mitigar os efeitos dessas doenças. O teste feito em células humanas dá boas chances de avanço da pesquisa para outras fases.
Resultados satisfatórios também foram encontrados em testes realizados com células do sistema nervoso central, as micróglias.
A pesquisa revelou que frações de alcaloides de açucena testadas foram capazes de reduzir a neuroinflamação induzida nas células microgliais.
Pacientes com Alzheimer e Parkinson apresentam processo inflamatório do sistema nervoso central.
Fonte: Diário do Nordeste
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