Política
Para novo ministro de Bolsonaro, idade é o critério para decidir quem sobrevive
O novo ministro da Saúde, Nelson Luiz Sperle Teich, aconselhou médicos a considerarem a idade dos pacientes para decidir qual merece um investimento em seu tratamento. Para o oncologista, a decisão entre um jovem e uma pessoa mais velha, diante da realidade já dada de recursos limitados, deve ser considerada no momento de decidir quem deve ser salvo. A declaração aparece em vídeo de maio de 2019, publicado no perfil do Facebook do Instituto Oncoguia, feito durante o IX Fórum de Oncologia, em Brasília.
“Como você tem dinheiro limitado, você vai ter que fazer escolhas, vai ter que definir onde vai investir. Tenho uma pessoa mais idosa, que tem uma doença crônica, avançada, e teve uma complicação. Para ela melhorar, vou gastar o mesmo que gastarei para salvar um adolescente que está com um problema. Só que um é um adolescente, que terá a vida inteira pela frente, e o outro é uma pessoa idosa, que pode estar no final da vida. Qual vai ser a escolha?”, perguntou Teich, na ocasião.
O ministro fez a fala durante um painel sobre “Oncologia sustentável e justa”, em que afirmou, de acordo com o Instituto Oncoguia, que “discussão é sobre a eficiência do sistema e como os recursos são utilizados para torná-lo eficiente.”
Carreira
O médico oncologista Nelson Luiz Sperle Teich chega ao Ministério da Saúde para substituir Luiz Henrique Mandetta, demitido do cargo nesta quinta-feira (16), em meio à pandemia do coronavírus e com a missão de tentar emplacar o discurso do presidente Jair Bolsonaro, de que a economia e a saúde devem estar no mesmo patamar.
Formado na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Teich se especializou em Oncologia no Instituto Nacional do Câncer (Inca). O novo ministro é sócio em dez empresas e fundou o grupo COI (Clínicas Oncológicas Integradas), no qual era sócio de Denizar Vianna, secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, pasta vinculada ao Ministério da Saúde.
Isolamento social
Um artigo publicado no dia 3 de abril por Teich indica que o Ministério da Saúde deve seguir os mesmos caminhos da gestão de Mandetta. No texto, o novo ministro se queixa da polarização entre saúde e economia e critica o isolamento vertical, proposto por Jair Bolsonaro.
“Essa estratégia também tem fragilidades e não representaria uma solução definitiva para o problema. Como exemplo, sendo real a informação que a maioria das transmissões acontecem a partir de pessoas sem sintomas, se deixarmos as pessoas com maior risco de morte pela covid-19 em casa e liberarmos aqueles com menor risco para o trabalho, com o passar do tempo teríamos pessoas assintomáticas transmitindo a doença para as famílias, para as pessoas de alto risco que foram isoladas e ficaram em casa. O ideal seria um isolamento estratégico ou inteligente”, pondera o novo ministro.
Sobre a proposta recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e também por seu antecessor, Luiz Henrique Mandetta, Teich afirma: “Além do impacto no cuidado dos pacientes, o isolamento horizontal é uma estratégia que permite ganhar tempo para entender melhor a doença e para implantar medidas que permitam a retomada econômica do país.”
Fonte: Brasil de Fato
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