Ceará
Opinião: Governo anuncia videomonitoramento em 38 cidades: sorria, mas nem tanto
Eis que o Governo do Estado resolveu agir diante da crescente e alarmante violência e das cobranças e críticas pesadas até mesmo de aliados (vide o ‘piti’ de Ivo Gomes, prefeito de Sobral e irmão de Cid e Ciro).
O anúncio do vídeo monitoramento para 38 cidades vem para tentar amenizar a principal fonte de críticas à gestão. Além das câmeras e central de monitoramento, Camilo Santana anunciou ampliação do RAIO e um novo equipamento do CIOPAER para uma base no sertão-central.
São 18 milhões investidos em um sistema de monitoramento que pode sim inibir alguns crimes e ajudar a esclarecer outros, mas diante da crise da segurança-pública no estado a medida não passa nem perto do principal combustível da violência no estado: o tráfico de drogas.
Enquanto facções criminosas ordenam execuções e outros delitos de dentro e de fora dos presídios, a ação do Governo do Estado vai assustar alguns batedores de carteira e render alguns vídeos inusitados e volta e meia ajudar a elucidar crimes.
Diante disso, o cenário que temos é de uma Polícia Civil sem condições devidas de trabalho, precisando de mais pessoas e mais investimentos em equipamentos e estrutura.
A polícia militar, apesar das promoções do governo Camilo Santana e das várias chamadas de mais policiais para as ruas, ainda precisa de investimentos em equipamento e qualificação, de acordo com relatos de policiais.
No caso da região centro-sul, ainda temos um agravante para a situação que é a falta de espaço para novos presos, uma situação crítica na cidade de Iguatu, onde a cadeia pública não tem sequer condições de receber presos por questões técnicas.
Para complicar o cenário o poder judiciário também enfrenta dificuldades que são percebidas pela lentidão nos processos e mesmo nas audiências de custódias, que acabam abarrotando as delegacias do estado.
Segurança-pública não se faz apenas com as forças policiais e com o judiciário, principalmente com a falta de políticas públicas sérias de inclusão social e combate à pobreza.
Tanto alarde em torno desse vídeo monitoramento parece mais uma ação para tirar o foco, com o perdão do trocadilho, do que para enfrentar o problema com a seriedade que a situação exige.
Até lá, pode sorrir, mas nem tanto.
Jan Messias.
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