Ceará
Médicos recém-formados na pandemia: “A gente evita até beber água e ir ao banheiro”
Formado aos 23 anos, Daniel Cardoso começou a atuar no Hospital Leonardo Da Vinci, unidade da rede particular que foi requerida pelo Governo do Estado para admitir pacientes diagnosticados com a Covid-19, menos de 15 dias depois de receber seu diploma de Médico em colação de grau antecipada. O jovem, que quer ser cirurgião, confessa que a rotina tem sido “exaustiva”, uma vez que a demanda de contaminados está acentuada.
“Se torna cansativo também porque a equipe presa muito pelos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), então não se pode desperdiçar. No momento que a gente chega e coloca os EPIs, passa, pelo menos, seis horas com eles”. Para economizar os itens de segurança, “a gente evita até beber água e ir ao banheiro”, diz. Em meio à rotina extenuante de trabalho, há ainda o receio de ser contaminado. “Esse risco deixa a gente com medo, mas é preciso dar a assistência”.
Segundo Daniel, não é possível traçar um panorama de como será o plantão de 12h, tendo em vista a instabilidade clínica dos pacientes.
“Lá, como só recebe Covid-19, e agora a situação está explodindo, todo dia é um dia diferente, digamos assim. Então, é preciso estar preparado para tudo”.
A disposição para reforçar a assistência se intensificou já nas últimas semanas da graduação, quando percebeu que seria escalado para intervir. “Eu realmente esperava poder ajudar e fazer o que eu fui preparado durante seis anos”, conta ele que se filiou a uma cooperativa de médicos e foi designado para trabalhar na unidade.
A recompensa, para ele, é ver que os cuidados ajudaram na reversão da condição dos pacientes. “Uma das melhores sensações é a gratidão deles. Isso a gente vê demais, principalmente nesse momento, que eles estão debilitados e ansiosos. Cada alta que a gente consegue dar no hospital, é um sentimento indescritível, de muito prazer e isso dá vontade de se capacitar cada vez mais”.
Fonte: Diário do Nordeste
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