Ceará
Estado investe em pesquisa que desenvolve analgésicos feitos com venenos de animais
O Ceará vem despontando no que diz respeito a inovações na área de Biotecnologia. Um desses exemplos é a pesquisa que conseguiu desenvolver novos analgésicos para o tratamento de dores neuropáticas a partir de substâncias da biodiversidade do Nordeste.
O projeto é executado pela empresa Genpharma, beneficiada com recursos do Programa de Apoio à Inovação Tecnológica nas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte do Estado do Ceará (Tecnova-CE). A empresa realizou a coleta de substâncias naturais dos venenos de animais típicos nordestinos.
Um desses compostos obtido por síntese foi prospectado a partir da telocinobufagina, uma substância do veneno do anfíbio Rinhella jimi, popularmente conhecido como sapo-cururu. O outro composto foi prospectado a partir do veneno da serpente Crotalus durissus cascavella: a cobra Cascavel.
Os compostos produzidos no Ceará estão isentos dos graves efeitos da morfina, tais como dependência, depressão respiratória e euforia.
Mais potentes que a morfina
Ambos os anestésicos apresentaram potência analgésica sobre a dor de cerca de 100 a 200% superior à da morfina, além de boa absorção por via oral.
Uma outra vantagem dos compostos produzidos no Ceará é que por não serem substâncias opioides (derivadas do ópio) estão isentos dos graves efeitos da morfina, tais como dependência, depressão respiratória e euforia.
Os analgésicos estão em processo de patente. “Eles apresentaram propriedades que permitem o desenvolvimento de novos fármacos a partir de pequenas moléculas obtidas através de uma síntese fácil, rápida e mais barata”, explica o responsável pela empresa Genpharma, Krishnamurti Carvalho.
O Tecnova-CE teve fundamental importância para o sucesso da pesquisa e para o incremento no número de projetos ligados à Biotecnologia no Estado. O programa foi concluído em dezembro de 2016 e financiou empresas de base tecnológica em setores estratégicos.
Ao todo, foram aportados para os projetos beneficiados recursos da ordem de R$ 20 milhões, oriundos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Governo do Ceará. O programa foi coordenado pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece), com execução da Fundação Astef, Rede de Incubadoras de Empresas do Ceará (RIC) e Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).
Assessoria de Comunicação – Secitece
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