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Entre Olhares: O cruel atraso da colonização ideológica

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No ultimo artigo que escrevi fiz algumas reflexões a respeito da elite científica do nosso país que sacramentou o racismo intelectual e científico no mundo acadêmico brasileiro, servido desta forma aos interesses dominantes e atrasados dos donos do Poder em nossa sociedade. Mencionei o livro de Jessé de Souza (A elite do atraso – Editora LeYa, 2017) que muitos esclarecimentos me trouxe sobre o marasmo social que estamos vivenciando hoje em nosso país. Coincidência ou não, de lá pra cá, alguns acontecimentos chamaram-me à atenção, reforçando os argumentos do respeitado cientista e escritor.

O renomado Doutor e professor de Sociologia da Universidade Federal do ABC (São Paulo) traça um retrato do “vira-lata brasileiro”, da “ralé brasileira”, da “plebe nacional”, da “gentinha nacional” (no dizer de Florestan Fernandes). Trata-se do negro escravizado, dos mestiços (filhos e filhas ilegítimos dos senhores de engenho), da pobreza branca camponesa que migra para os grandes centros e da nova classe de migrantes que aos milhares chegam ao Brasil. Com a suposta Abolição toda essa gente passa a constituir um “competitivo” mercado de trabalho (não pela qualidade, mas sim pela quantidade de força muscular a ser explorada).

Mestiços, escravos de casa, pobre branco e migrantes passam a fazer parte de uma nova classe social que, contando com a boa vontade da burguesia florescente, passam a ter acesso ao aprendizado de certos ofícios e ao letramento funcional, a fim de que lhes possibilitasse o exercício de determinadas atividades de trabalho e determinadas funções públicas no nascente Estado nacional. Estrategicamente foram importadas e copiadas determinadas atitudes europeias e europeizantes, que promoveram um “branqueamento” desses indivíduos, fazendo-lhes pensar que doravante eram pertencentes à classe dominante, passando a oprimir os seus semelhantes de origem.

Foi esse “branqueamento europeizante” e o “culturalismo racista conservador” que vieram à minha memória quando me deparei com o fato de um filho de santo meu, ao despertar de um transe mediúnico, fez a seguinte afirmação: “eu havia dito que despertar e se deparar com a lua era uma experiência inenarrável; contudo, hoje, despertando perante a imagem de Oxalá (no caso uma imagem de Cristo crucificado), considero ainda mais emocionante”. O que está escondido por trás da fala desse meu filho? Qual o recorte ideológico pode ser feito na fala desse meu filho? Por quê fiquei eu tão reflexivo? São “falas” dessa natureza que todos os dias passam despercebidas e são legitimadas inconscientemente por todos nós que sofremos uma cruel colonização ideológica.
Hoje em dia, ser e/ou se dizer “MACUMBEIRO” é um ato de rebeldia ao “status quo” e à ordem ideológica majoritária vigente em nossa sociedade. Somente nós militantes, seguidores e sacerdotes das Religiões de Matriz Africana sabemos o estigma social que carregamos, pelo simples fato de professar a nossa fé publicamente. A fala de meu filho demonstra claramente o quanto ele já se rebelou, mas ainda não conseguiu se libertar da submissão ao cruel colonialismo ideológico que nos foi imposto pela Ideologia Teológica Europeia Dominante que menospreza, minimaliza, desvaloriza, marginaliza, endemoniza as manifestações de fé dos nativos e afrodescendentes.

Ingenuamente meu filho não se apercebeu do fato de que fomos forçosamente obrigados e submetidos à prática do sincretismo religioso, a fim de que pudéssemos ainda hoje estar professando a nossa fé ancestral. E nessa prática oportunista, mais uma vez, a ideologia teológica dominante se fez superior, colocando em nossas cabeças que somente as suas imagens (diga-se de passagem, de sofrimento) eram dignas de verdadeira adoração, de deleite e de felicidade aos seus adoradores. E aí, meu filho não conseguiu lembrar que, para nós afrodescendentes com ancestralidade indígena, não há a menor diferença entre uma imagem crucificada e uma lua cheia.

Para nós de religiosidade afrodescendente e com ancestralidade indígena ambas as imagens (a primeira, moldada em gesso e madeira; a segunda, exibida naturalmente) representam elementos de nossa fé que em Iorubá afirmamos pertencer a ORÙMILÀ e que, dada a nossa necessidade de materialização ou, partindo de um aforismo ideológico europeizante “ver para crer”, atribuímos às ditas imagens um poder sacralizador. Espero que entendam que eu não estou aqui ridicularizando ou execrando meu filho em praça pública. Muito pelo contrário, estou aqui fazendo uso de um exemplo de casa para refletir o quanto ainda temos que estudar Sociologia para não só nos rebelarmos, mas principalmente nos libertarmos dos grilhões que nos acorrentam e que nos subjugam.

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