Patrícia Santiago: Colunista, Assistente Social

Encerrou no último dia 04 de maio o prazo final para regularização e/ou emissão do título eleitoral. Após a divulgação que até o fim de janeiro de 2022 apenas 10% dos jovens de 16 a 18 anos haviam se cadastrado para participarem do processo eleitoral, muitas iniciativas surgiram convidando esses jovens para emitirem seu título, foram campanhas encabeçadas por ONGs, artistas e abraçado por toda sociedade, que compartilharam as postagens e link do TSE para que os mesmos fizessem o processo. A campanha surtiu muito efeito, visto que segundo o TSE, mais de 8 milhões de pedidos foram feitos em apenas 30 dias chegando a bater recorde de atendimento no último dia de solicitação.

Essa corrida para regularização eleitoral e essa mobilização através de campanhas é uma novidade no cenário eleitoral das últimas décadas, algo bem na contramão do sentimento expressado através dos altos índices de abstinência registrados nas últimas eleições, o que transparecia uma falta de confiança que algo poderia mudar através do voto ou da mudança de governantes e legisladores. Associado a isso, contribuía para o descrédito no processo eleitoral, as constantes declarações do presidente sobre as urnas eletrônicas e o ataques ao processo eleitoral, sugerindo que o mesmo não é seguro e insinuando possíveis fraudes, declarações sem nenhum embasamento real, visto que não há nenhum indício de fraude nos processos eleitorais após a adoção da urna eletrônica no Brasil. No entanto, ao contrário do esperado, a população reage se mobilizando para pedirem que todos regularizem a situação eleitoral e votem nas próximas eleições, dando uma guinada e mostrando que o povo está atento à realidade do país e que quer mudança, e que essa mudança vem também através da escolha de bons representantes.

As pessoas não estão inertes e não são despolitizadas como tanto desejam os maus políticos, elas vivem na prática do dia a dia os efeitos da inflação, do desemprego, da falta de acesso a alimentos, da falta de políticas públicas e sentem os efeitos de uma política voltada para os ricos, que em meio à crise, conseguiram acumular ainda mais capital. O Brasil vive um período pós pandêmico caótico, com um plano de recuperação econômico pífio, com índice de desemprego entre os maiores do mundo, com cortes no orçamento do MEC, alto índice de evasão escolar, com esvaziamento das políticas de saúde mental e de combate a violência contra mulher, desmatamento recorde, alta no preço de alimentos e combustíveis.

Mediante esse cenário, e visto que as mobilizações de rua não conseguiram fazer com que os representantes de todas as esferas ouvissem a voz das ruas, restou ao povo ter esperança de escolher novamente outros representantes, tanto os legisladores (deputados (as) e senadores (as)) que elaborarão e aprovarão leis e projetos quanto os representantes do executivo (governadores (as) e Presidente (a)) que administrarão nosso país e os estados. Esta esperança é o que moveu a mobilização para regularização eleitoral e é ela que mantém nosso povo atento ao que se apresentará como opção ao que temos hoje, sem esquecer da negligência sofrida por esses que lá estão.

Por Patrícia Santiago
Colunista, Assistente Social

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