Olá leitor! Espero que estejam todos bem.

No encontro passado, falamos do que é a Economia e o Desenvolvimento econômico. Hoje, iremos analisar esse processo de desenvolvimento no Ceará, que começa com o povoamento tardio do estado. Na verdade, segundo o Doutor em ciência política Washington Luís de Sousa Bonfim, o Ceará não era muito atrativo, suas terras não permitiam a plantação de cana de açúcar e não havia tanta mão de obra. De 1680 a 1777, a economia do Ceará se baseava na pecuária, tendo a agricultura apenas para a subsistência dos pecuaristas.

Devido a guerra de independência dos Estados Unidos da América (1775 – 1783), a demanda por algodão se elevou, iniciando para o Ceará um período de 210 anos tendo essa cultura como o principal motor da economia.

Do ano de 1921 a 1978, o Governo do Estado começa um investimento pesado na industrialização com incentivos fiscais, para o setor tido como tradicional (têxtil de confecção). É nesse último ano que começa o “paradoxo da economia cearense”. Um grupo de médios empresários tradicionais, formam o chamado Centro de Industrialização do Ceará (CIC), que defendia o controle das contas públicas, a capacidade de investimento do governo e a dinamização da indústria. Com a crise de 1980 a 1987, onde todas as apostas do estado estavam no setor têxtil, a industrialização apresentou queda, o que deu razão ao discurso do CIC. No dia 15 de março de 1987, assume o governo do estado do Ceará o empresário Tasso Jereissati, colocando fim ao coronelismo no Ceará e dando início ao Governo de Mudanças, que tem sua essência de governo representada até hoje, mesmo com a alternância partidária.

De 1987 pra cá, se busca manter a estrutura da economia, a respeito das políticas macroeconômicas. Traduzindo: controle das contas públicas, capacidade de investimento do estado e atração da indústria, tem sido objetivos da gestão até hoje. É importante ressaltar a atuação da Sudene como norteadora e fomentadora da industrialização, mostrando que a harmonia entre governo federal e estadual são determinantes no desenvolvimento econômico do Ceará. Outros fatores importantes foram a construção do Porto do Pecém, um marco para atividade comercial externa e as áreas irrigadas, que ajudaram na manutenção da produção agropecuária.

Atualmente, segundo dados oficiais do IBGE, de 2020, o Ceará apresenta um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal médio de 0,682, ficando em 17° lugar, diante dos demais estados brasileiros e em 2° lugar dos estados do Nordeste. Entre as variáveis consideradas, a que mais prejudica a colocação do Ceará é a longevidade, deixando o estado entre os 5 mais precários (Maranhão, Piauí, Alagoas Pará e Ceará). Esse dado expõe a necessidade de superar os desafios no que se refere a saúde e à redução da criminalidade no estado. Porém, vale destacar que, segundo dados do IPEA, o estado apresentou uma redução de 49,99% de homicídios por 100 mil habitantes entre 2018 e 2019.

Em relação à produção do Ceará, o Estado ficou em 12° lugar, em 2019, diante do PIB dos demais estados brasileiros e em 3° lugar na região Nordeste. Segundo o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPCE), em 2019, o setor mais importante no PIB é o de serviços, com 77% de participação, seguido pela indústria e a agropecuária. Na agropecuária o destaque foi a produção de e banana, mamão, coco-da-baía, leite e aves, que apresentaram crescimento. Na Industria, as atividades de Eletricidade, gás, água extrativismo mineral, transformação e Construção, além das tradicionais (Têxtil, Vestuário e Alimentos e bebidas) se destacaram. Em relação ao setor de Serviços, apresentaram crescimento os subsetores: Informação e comunicação (6,91%); Alojamento e alimentação (5,80%) e Educação e saúde privadas (4,58%).

NÃO SÃO POLÍTICAS DE CURTO PRAZO E POPULISTAS QUE GARANTEM O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, MAS AVANÇOS ESTRUTURAIS.

Em resumo, o Ceará obteve um considerável desenvolvimento econômico. Uma terra esquecida por falta de fatores econômicos, hoje se apresenta como a 3° maior economia do Nordeste. Porém, há muito o que melhorar. Não são políticas de curto prazo e populistas que garantem o desenvolvimento econômico, mas avanços estruturais.

No próximo encontro: iremos observar um panorama geral da mesorregião Centro Sul, analisando como anda a economia local. Você ouvinte ficará por dentro dos fatos e começaremos a adentrar no sistema econômico de nosso dia a dia.

*Por Davi Lucena, colunista, analista de economia regional.

PODCAST MAIS SAÚDE – Edição de 19 de março, com Paulinho Neto