Dia-a-Dia com Maria
Dia-a-Dia com Maria: Uma só andorinha não resistirá na contramão
E quando apenas uma só andorinha existir no verão, o que dirão os colecionadores de fotografias aos seus bandos de fãs e seguidores nas redes sociais?
Uma só andorinha! Pensei no despropósito e, de repente, penetrei numa nave de épocas remotas e me vi andando com pés pequenos e empoeirados das veredas atravessadas em ziguezagues por preás, tijubinas, serpentes e outros pequeninos seres da nossa rala mata e fauna resistentes.
Anos 70, eu não supunha que um dia aqueles bichinhos iam sumir da nossa zona de trânsito rural. Eu nem sabia que eles tinham alguma importância ecológica, aliás, nem a palavra “ecologia” ouvira.
2017, século 21 em rápido andamento e a cegueira humana esvaziando esperanças, poluindo mares, restos de rios, lençol freático, derrubando matas, dizimando espécies de animais… Os homens precisam de ossos, peles, marfins, madeiras, encher cofres e caixões, querem transformar tudo em muito dinheiro, feito com papel… papel, que requer tombamento de árvores…
Pensei-me andorinha, circulando no verão, vestida de preto e branco. Luta em luto e decifrando seus acordes inaudíveis aos muito poucos ouvintes, chorando as migalhas dos tocos de velhas árvores que foram transformadas em cumeeiras, em cadeiras onde a velha andorinha molha o verão com seu pranto copioso e inútil.
Como serão contadas as histórias aos pequeninos? Que espanto sentirão nossos meninos quando souberem que os honrados e/ou premiados ao Oscar, os influentes nada fizeram para tosar o desmando?
Um dia o mundo brasileiro respirará gases tóxicos e certamente terá saudade dos primeiros anos da velha Cubatão paulista, quando disseram que a vida estaria sendo impiedosamente dizimada naqueles ares.
O Greenpeace? Certamente será uma bandeira verde estendida em forma de cruz, no mapa da Amazônia, os índios terão fotos espalhadas nos museus semidesertos. Pouca gente haverá e essa multidão raquítica usará máscaras e tentará resistir no planeta consumido.
Por esse tempo, os verões serão solitários e a velha andorinha terá viajado para um lugar que certamente não haverá serras e machadinhas que alcancem troncos. Aliás, nem se sabe o que deve haver nesse plano imaginário.
Hoje é noite de São João e olhei para o céu e pedi às estrelas para se manterem no mais alto ponto e agradeci a cada uma por se postarem na altura suficiente para não serem derrubadas e transformadas em matéria prima de consumo e lixo.
Acordei do pesadelo, não sou a velha andorinha, sou uma lesma escorregando a pedir socorro para a própria espécie que se mata e não se compadece nem de si mesma.
Maria Lopes
[email protected]
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