Economia
Compras compartilhadas: empresas economizam até 50% com a prática
Para aumentar o poder de barganha com fornecedores e reduzir custos, empresas de pequeno e médio porte do Estado vêm apostando na compra de insumos de forma compartilhada. Além de manter a competitividade, a prática ajuda empresas locais a enfrentar a concorrência de grandes empresas. Com a expectativa de recuperação econômica, a tendência é que mais setores passem a investir em sistemas de compras conjuntas.
Segundo Dana Nunes, gerente do Núcleo de Convênios e Parcerias do Sistema Fiec (Federação das Indústrias do Estado do Ceará), além de conseguir preços menores pelos insumos, os sistemas possibilitam a aquisição de produtos de melhor qualidade. A gerente aponta que, em geral, a economia fica entre 30% e 50%, se comparadas a compras feitas individualmente.
“A Coopercon-CE (Cooperativa da Construção Civil do Ceará) foi uma das primeiras entidades a fazer essas compras no Estado, mas agora estamos tentando implantar, ainda neste ano, para a confecção, sorvetes e empresas do setor metalmecânico, na região do Jaguaribe”, aponta Dana. “Estamos estruturando também para os setores químico, de cosméticos e gráfico”.
Outro segmento com longo histórico na prática é o de supermercados que, por meio da Associação Cearense de Supermercados (Acesu), iniciou, há cerca de 20 anos, a compra conjunta de produtos no atacado. A ideia era juntar pequenos e médios estabelecimentos para negociar com as grandes indústrias e, assim, enfrentar a concorrência das grandes redes nacionais de supermercados.
Panificação
Até o ano passado, as centrais de compras estavam concentradas principalmente na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), mas, neste ano, um grupo de empresários do setor de panificação do Cariri criou um sistema de compra compartilhada de insumos, cuja estimativa é obter, inicialmente, economia de cerca de 10%. Ao todo, 12 panificadoras já adotaram o sistema, com potencial de compras mensais de R$ 250 mil.
“Essa ideia já existe há três anos e agora se materializou com o auxílio de solução on-line, que permite que clientes e fornecedores interajam”, diz Ivanilson da Silva, delegado do Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria no Estado do Ceará (Sindipan-CE), regional Cariri. Conforme os resultados apareçam para os estabelecimentos que hoje utilizam a Central de Compras, chamada de Unapan, Silva acredita que outras deverão aderir ao sistema, uma vez que o sindicato conta com 45 associadas na região.
“A Central faz com que a empresa pequena se beneficie da compra em grandes quantidades, conseguindo menores preços em mercadoria e matéria-prima”, aponta. Hoje, os principais produtos adquiridos pela Central de Compras são: ovos, margarina, açúcar e fermento. “Depois pretendemos acrescentar outros itens, como farinha de trigo, embalagens e outros”.
O programa usado no Cariri foi inspirado no sistema já adotado em Fortaleza pelos associados do Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria no Estado do Ceará (Sindipan-CE). Entretanto, segundo o presidente da entidade, Ângelo Márcio, em Fortaleza, uma das principais motivações para a criação da Central foi o avanço de taxas cobradas pela Prefeitura.
“Ao longo dos últimos cinco anos, as taxas da Prefeitura vêm aumentando muito, como é o caso dos alvarás de funcionamento, de taxas de coleta de lixo. Então, são despesas extra que nós não tínhamos”.
Hoje, a Central de Negócios do Sindpan-CE conta com 64 empresas e movimenta cerca de R$ 500 mil por mês. “A partir de agosto, a gente espera chegar a R$ 1 milhão em compras”, diz Ângelo. “Em média, a economia para quem compra pelo portal é de 8%”.
Construção civil
O setor da construção civil, por meio da Coopercon-CE, desenvolveu seu portal de compras online em 2017. Além da gama de produtos disponíveis, o sistema possibilita a compra de pequenos volumes com preços de atacado. A maior parte das compras é de cimento, aço, argamassa, elevadores e porcelanato.
“É um bom negócio para os cooperados, o poder de barganha é muito grande e, juntos, nós conseguimos preços abaixo do mercado de 10% a 20%, o que faz a diferença numa crise como essa”, diz Emanuel Capistrano, presidente do Coopercon-CE. O setor, que chegou a movimentar cerca de R$ 130 milhões em 2016, sofreu com a crise econômica e reduziu o volume de compras pela metade no ano passado.
De acordo com Dana Nunes, a economia das compras conjuntas para os pequenos estabelecimentos pode ser decisiva para a competitividade da empresa.
“Uma grande empresa de sorvete consegue comprar 30 toneladas de leite por mês, mas há empresas que compram 500 quilos, 100 quilos, e acabam pagando um valor muito mais alto”, argumenta a gerente. “O que eu observo é que as empresas estão se unindo não apenas pelo aumento do poder de barganha, mas pelo fortalecimento dos próprios setores”.
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