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Como os médicos cubanos contribuíram para o programa Mais Médicos
O programa Mais Médicos, criado em 2013, tem sido amplamente reconhecido pela sua contribuição à saúde pública no Brasil, ao levar profissionais de atenção básica a mais de 4 mil municípios e beneficiar mais de 66,6 milhões de pessoas. Dados do Ministério da Saúde destacam sua aprovação popular, principalmente pela redução do déficit de acesso à saúde primária, melhoria no vínculo entre médico e paciente, continuidade nos tratamentos e diminuição de hospitalizações evitáveis. Cuba, país com alto desempenho em indicadores de saúde, foi o principal fornecedor de médicos nos primeiros anos do programa, e ainda hoje representa 10% dos mais de 26 mil profissionais atuantes.
Apesar dos resultados positivos, o programa foi alvo de críticas internacionais recentemente. O Departamento de Estado dos EUA anunciou a revogação de vistos de funcionários brasileiros ligados ao Mais Médicos e à Opas, alegando envolvimento com trabalho forçado imposto pelo governo cubano. A medida gerou reações no Brasil. Rômulo Paes, presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), afirmou que a decisão norte-americana não tem relação com questões sanitárias, mas reflete interesses da política externa de Washington. Ele destacou que o modelo de cooperação médica cubano já existia em mais de 100 países, inclusive europeus, sem qualquer contestação semelhante.
Paes também questionou a suposta singularidade do Brasil na cooperação com Cuba, lembrando que diversos países já adotaram esse tipo de parceria. Ele ressaltou ainda que, mesmo com recursos limitados, Cuba apresenta indicadores de saúde superiores aos dos Estados Unidos em vários aspectos. Para ele, a ação norte-americana tenta reativar uma controvérsia superada, talvez como resposta à repercussão negativa do recente aumento de tarifas sobre produtos brasileiros, evidenciando que o ataque ao Mais Médicos tem motivações mais geopolíticas do que humanitárias.
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