Brasil
Brasil em 2022: país do estupro
O Brasil registrou o maior número de estupros da sua história no ano passado — um ano de eleições. Foram, no total, 74.930 vítimas, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Seis em cada dez vítimas tinham menos de 13 anos, mais de 80% do total eram menores. Como entram na conta apenas os casos registrados na polícia, é certo que há subnotificação. O fato de que mais casos de abuso sexual envolvendo pessoas conhecidas foram divulgados deve ter estimulado mais vítimas a falarem alto. No caso das crianças, 64% foram abusadas por familiares. Quase nove em cada dez vítimas de estupro são do sexo feminino.
A violência doméstica cresceu no país em 2022, com 245.713 ocorrências ante 237.596 no ano anterior. Destaque para o estado do Amazonas, com salto de 92%. O feminicídio teve aumento de 6,1% no número de casos, passando de 1.347 em 2021 para 1.437. Já as tentativas de feminicídio subiram de 2.181 para 2.563, crescimento de 16,9%.
Aliás… Os casos de racismo cresceram 68%, com 2.458 ocorrências ante 1.464 em 2021. As notificações por injúria racial também subiram para 10.990 em 2022 ante 10.814 no ano anterior. O mesmo ocorreu com crimes de homotransfobia, que aumentaram 54% no ano passado, com 488 registros ante 316 em 2021. Também houve um salto nos crimes de lesão corporal dolosa contra pessoas LGBTQIA+, que passaram de 2.050 em 2021 para 2.324 em 2022.
A boa notícia é que caiu o número de mortes violentas, com 47.508 vítimas em 2022. Esse é o melhor resultado em mais de dez anos, com mais óbitos apenas do que em 2011, quando 47.215 pessoas morreram por homicídios, feminicídios, lesão corporal seguida de morte ou latrocínio.
Enquanto isso… O presidente Lula assina hoje um novo decreto de armas, que deve, entre outras medidas, restringir a compra de fuzis e pistolas 9 mm, desobrigar a devolução de armas adquiridas por caçadores, atiradores e colecionadores (CACs), e proibir o funcionamento 24 horas dos clubes de tiro.
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