Ceará
Apesar de alerta para infestação, casos de arboviroses diminuem no CE
Casos de dengue, chikungunya e zika caíram cerca de 90%. Último levantamento registra 19 municípios em estado de risco e 64 com para alerta de infestação.
O Ceará apresenta queda dos casos de dengue, chikungunya e zika em torno de 90% nos primeiros cinco meses de 2018. Porém, após dois anos de altos índices das doenças, o número de focos em imóveis ainda preocupa. Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa) referente ao primeiro trimestre de 2018 indica o Ceará com 19 municípios (10,38%) em estado de risco e 64 (34,97%) em alerta.
A informação foi divulgada pelo Ministério da Saúde. Os dados de ocorrência das doenças são de boletim da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) de 30 de maio. Novo levantamento deve ser lançado em breve.
A diminuição do casos confirmados, que chega a 99% para chikungunya, é explicada pela epidemia nos anos anteriores. “Quanto a gente tem esses casos nos anos epidêmicos, a gente espera um próximo ano de baixa. Porque a pessoa que adquire a doença não adoece mais depois”, explica Pamela Linhares, assessora técnica do Núcleo de Epidemiologia da Sesa.
A queda nos casos confirmados de 2018 em relação ao ano anterior foi de 93% e 96%, respectivamente, para dengue e zika. “Em 2015, teve uma epidemia da dengue e a introdução dos vírus da zika e da chikungunya porque a população estava suscetível. Se a pessoa já teve chikungunya e zika, não vai mais ter. Para dengue, não funciona assim porque existem quatro sorotipos”, diz Pamela, frisando que todos esses sorotipos já circularam no Ceará. Regiões como Centro-Oeste, ela diferencia, estão sofrendo com a introdução de novo sorotipo.
O índice de alta infestação também diminuiu na comparação com o ano passado, mas ainda preocupa. A dado não resulta necessariamente em aumento das doenças, tendo em vista que está relacionado a outros fatores.
“A infestação não determina sozinha, é um dos fatores que está relacionado ao risco de casos. Mas precisa ter pessoas suscetíveis e o vírus circulando. A presença do vetor é essencial, mas sozinha não determina a ocorrência de casos”, frisa Ricristhi Gonçalves, técnica do Núcleo de Controle de Vetores da Sesa.
Os municípios com alta infestação, considerados de risco, apresentam mais de 4% dos imóveis com a presença de focos do mosquito. Já as cidades com média infestação, consideradas em alerta, registram entre 1% e 3,9% dos imóveis nessa situação.
“Nosso boletim vai ser lançado em breve com dados mais atualizados, mas o Ceará reduziu muito com relação à infestação do vetor do ano anterior”, atesta Ricristhi. Conforme o levantamento, houve uma diminuição de 65,85% das cidades com alta infestação. Ano passado foram 45 municípios (30,40%) com alta infestação e 47 (31,75%) registrados com média infestação.
Fonte: O Povo
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