“O que é que eu posso fazer
Um simples Cantador das coisas do porão
Deus fez os cães da rua pra morder vocês
Que sob a luz da Lua
Os tratam como gente é claro
Aos pontapés”

(Conheço o meu lugar, Belchior)



O abutre desfila com poupas de sábio, com andar vaidoso, com ar de supremacia, embora se alimente de carne podre… Sai com discurso de honestidade, veracidade, alguém por demais infalível que não passa nem perto do horror que de fato é a sua essência; discursa no presente instante querendo ser não só o senhor da razão, mas o pai da verdade, o homem mais limpo que possa existir…, mas não é fato, apenas aparência…

Todo esse discurso é um ato para cobrir a real história e disfarçar o real motivo do que acontece. O abutre clama por morte, podridão e vive à espreita esperando a chaga abrir mais e mais, e vai esperar a morte e a putrefação, mesmo podendo socorrer, até mesmo daqueles, os quais apaixonadamente ouvem e aplaudem seu discurso. Estes apaixonados e cegos correram para uma ilusão, encantaram-se com palavras e ações em público de alguém vaidoso… O vaidoso ama a aparência, não a verdade das coisas, não a realidade da vida. Os iludidos esperam alguém que falem por eles, não esmeram o pensamento em reflexão que possa contrariar suas “certezas”. Assim vivem, assim padecem e assim desprezam os iguais a eles que não vivem a ilusão que eles cultivam.

O abrute diante de seu público de iludidos inflama o próprio ego e ativa o ódio dos iludidos contra os que não vivem convencionalmente. Após isso, os iludidos saem em caça aos que se pautam na ética, que não aceitam a imposição do abutre, e se possível, até matam, pois a paixão pelo que ouviram do abutre e o ódio gerado pela ilusão que o abutre impôs, não permitem razão.

Os abutres vencem, mas só quem canta de fato na floresta da vida são os canários… mesmo que suas vidas sejam ceifadas pelas calúnias dos que vivem da carniça do público que os aplaudem… Pisávamos sempre em alguns ovos, continuamos nessa lida, porém os ovos criaram espinhos antes de virarem serpentes…

Ainda teremos primaveras… A Esperança dos bons dias que já tivemos vencerá o ódio, a mentira e a aparência fingida de bem dos abutres….

Por Américo Neto

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