Ceará
Ceará registra aumento em transplantes de órgãos após diminuição de casos da Covid-19
Desde junho, o Ceará começou a registrar o aumento de transplante de órgãos. Segundo o médico cearense e presidente da Associação Brasileira de Transplantes (ABTO), Huygens Garcia, o fenômeno está relacionado com a diminuição dos casos da Covid-19 no Estado e a consequente liberação de leitos de UTI e enfermaria.
Enquanto nos meses de abril e maio, não ocorreu nenhum transplante de rins, esse número subiu para 6 em julho e 15 em agosto, aponta o presidente da ABTO.
No caso dos transplantes de coração, desde junho o Estado segue com a média de um caso mensal, chegando a ter realizado 5 operações em fevereiro e posteriormente nenhuma nos meses de abril e maio. Em relação às operações com fígado, em maio e junho foram 4 casos mensais, em julho subiu para 10 e atingiu a marca de 15 transplantes em agosto.
Além da maior quantidade de vagas em leitos hospitalares, o Huygens declara que a realização de campanhas de conscientização da população sobre o tema também favorece às doações. “Há uma facilidade maior de abordar as famílias que foram vítimas de parentes que tiveram morte encefálica, então isso fez com que a partir de junho começasse a ter um aumento discreto”, explica.
Antes da pandemia
Nos dois primeiros meses de 2020, o Ceará registrou 29 transplantes mensais de rins e respectivamente, 24 e 23, de fígado. Em março, com a chegada da pandemia no Estado, o número caiu para 6 operações com rins e 9, com fígado. O retorno gradual só começou a ser notificado em junho, registrando um aumento nos dois casos. Em junho e julho, o crescimento foi de 1 e 6, no caso das operações de rim e 4 e 10, nas de fígado.
O presidente da ABTO aponta que a redução está relacionada com a chegada da pandemia, sendo um movimento que ocorreu tanto nos estados brasileiros, quanto em outros países. “Nosso Estado foi um dos mais acometidos porque chegou a ter um grau de propagação muito grande”, aponta.
Doação
O aposentado Clóvis Vaz teve sua vida mudada completamente após realizar um transplante de fígado. Antes do procedimento, o paciente recorreu a tratamentos como quimioembolização e radioablação para conter o avanço de uma cirrose no fígado. Com a chegada da pandemia, ele conta que ficou preocupado com a doença. “Achei que ficaria mais difícil, assim como ficou né, porque teve essa paralisação total. Então fiquei muito abalado. Não só eu, acho que todos os outros pacientes”.
Para ele, foi “gratificante” receber a notícia de que poderia fazer o transplante. Clóvis ainda está em processo de reabilitação e comemora a melhora. “Está sendo muito boa a recuperação e o médico está me dando muita esperança, dizendo que eu estou indo muito bem. É uma vida nova, graças a Deus, um novo fígado. Bola pra frente agora!”.
Fonte: G1 CE
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