Ceará
Casa do Estudante do Ceará se mantém com doações durante a pandemia
Atingida pela crise de saúde e econômica provocada pela pandemia do novo coronavírus, a Casa do Estudante do Ceará (CEC) está sobrevivendo através de doações. A residência que abriga estudantes universitários e secundaristas, oriundos do interior do estado, e completa 86 anos em agosto, teve que fechar o refeitório por causa da pandemia e está se mantendo com doação de cestas básicas e materiais de higiene.
A crise por causa da pandemia e o alto custo de vida em Fortaleza fizeram quase 100 estudantes residentes retornarem ao interior.
O Ceará contabiliza 144.058 mil casos confirmados da Covid-19, com 7.139 mortes pela doença. Os dados foram atualizados pela Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), às 17h05 desta quarta-feira (16), na plataforma IntegraSUS. O número de pacientes recuperadas da enfermidade é de 117.563.
A residência se mantém com o valor repassado anualmente, com base na Lei Municipal nº 8.130, de 20% do valor unitário da confecção da carteira estudantil. “O que a gente recebe, [que] é destinado pela lei municipal, é para as nossas demandas em geral. Por conta da crise, muitos estudantes não solicitaram a carteirinha, e então diminuiu a demanda de carteirinhas e a casa também diminuiu a quantia que recebia”, explica Nayelle Costa, presidente da Casa do Estudante.
Além de receber menos do Município, no início da pandemia, a diretoria precisou fechar o refeitório para cumprir os protocolos sanitários. O lugar oferecia café da manhã e almoço para os estudantes residentes, em sua maioria carentes. “Com o fechamento do refeitório, muitos meninos que moram lá preferiram retornar para o interior”, conta Nayelle. A Casa do Estudante do Ceará era morada de cerca de 120 estudantes antes do isolamento social.
“A casa hoje, para muitos moradores, é o único local que eles têm para que possa permanecer em Fortaleza e conseguir estudar. Desde que a casa foi construída, ela recebe estudantes de todo o Ceará, e colabora para que eles estudantes possam vir, estudar e conseguir aquilo que realmente sonham”, destaca Nayelle.
Necessidades
Heuller Pinho, que cursa Direito e reside na CEC, é natural de Poranga, na Serra da Ibiapaba, e resolveu continuar em Fortaleza mesmo sendo difícil se manter. “Mudou muita coisa. Somos jovens vindos do interior e, assim que deu início a pandemia, ficaram pouquíssimos estudantes aqui na casa. O restaurante foi fechado e isso deu também um certo impulso para que as pessoas regressarem a suas residências”, comenta.
Sem o restaurante, os estudantes que ficaram no local têm sobrevivido com doações. “Muitos moradores estão recebendo cestas básicas, que a gente como diretoria está conseguindo junto com algumas entidades, como a Cufa [Central Única das Favelas], que já doou algumas cestas básicas e aí a gente distribui para os moradores que ficaram. Quanto a materiais de limpeza, a gente também conseguiu algumas doações”, explica Nayelle. “[Além disso] nós mesmos como diretoria estamos comprando e distribuindo para os moradores”, completa.
“Basicamente, quem está na casa no momento está sobrevivendo por ajuda dos familiares e pelas doações que a gente está conseguindo”, frisa Nayelle.
Preocupação diária
O estudante de Direito Heuller Pinho cita a preocupação com a estrutura do local, principalmente agora, que passa mais tempo na residência. “Uma das nossas principais [demandas], além da alimentação, são as reformas internas. A casa tem que redobrar cuidados a certas estruturas, porque é um prédio bem antigo”, destaca.
A Casa do Estudante recebeu o direito, por meio da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS), de receber repasse de R$ 1 milhão para reforma, em dezembro de 2018, mas até o momento só recebeu a primeira parcela, de R$ 150 mil. A segunda parcela, de acordo com a diretoria da Casa, deveria ter sido paga pela Secretaria de Proteção Social, Justiça, Mulheres e Direitos Humanos (SPS) em março de 2020, mas isso não aconteceu.
Fonte: G1 CE
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