Política
“Lamentável”, diz coordenadora de sindicato sobre humorista em coletiva de Bolsonaro
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira (4) que o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 1,1% em 2019, o pior desempenho em três anos. No mesmo dia, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) levou o humorista Márvio Lúcio, conhecido como Carioca, ao Palácio da Alvorada para responder às perguntas de jornalistas. “O que é PIB? Tem que ver com o Paulo Guedes”, ridicularizou o humorista.
“Bolsonaro colocou um humorista para oferecer bananas a jornalistas e para responder perguntas. Tentamos fazer perguntas a Bolsonaro. Como ele não quis responder, viramos as costas e fomos embora”, relatou Daniel Gullino, repórter do jornal O Globo, em suas redes sociais.
Juliana Cézar Nunes, da coordenação do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal (SJPDF), explica que a atitude de Bolsonaro é “lamentável”, mas que não surpreende, e cita o relatório da Fenaj que monitora a recorrência das agressões do presidente aos profissionais da imprensa.
Segundo Nunes, ao conduzir o humorista para a coletiva e fazer uma “dobradinha” com ele de forma desrespeitosa com os jornalistas, o presidente também desrespeita o conjunto da sociedade.
“Esse momento de entrevista é muito importante, é quando as autoridades públicas eleitas pela população prestam contas à sociedade. Bolsonaro se eximiu de dar informações e optou por chancelar o desrespeito aos profissionais da imprensa”, afirma.
Direito à informação
A presença de Bolsonaro na entrevista coletiva com jornalistas se limitou a risos e adulação de apoiadores. Quando esteve ao lado de Márvio Lúcio, seu apoiador público desde a campanha eleitoral, sugeriu que o humorista respondesse às perguntas dos jornalistas com a assertiva: “fala que é conspiração”.
A ação do humorista, fantasiado de presidente e carregando um cacho de bananas, foi gravada por cinegrafistas da emissora do pastor Edir Macedo, a TV Record, da qual Márvio Lúcio é contratado, e transmitida ao vivo pelo perfil de Bolsonaro no Facebook.
Murilo Fagundes, jornalista do site Bloomberg News, também postou um relato no Twitter: “Hoje, fui ao Palácio destinado a perguntar ao presidente sobre o fraco resultado do PIB, divulgado hoje. Mas eu e todos os colegas fomos surpreendidos pelo humorista Carioca, que veio em um carro junto ao comboio. Carioca nos ofereceu bananas. Bolsonaro não comentou o PIB”.
A coordenadora do SJPDF diz ainda que a entidade vai tomar as medidas jurídicas cabíveis em relação ao caso. “Jornalistas devem ter garantido o direito do seu exercício profissional e ter sua imagem respeitada, já que estavam cumprindo seu trabalho que é fundamental para o direito à informação da sociedade brasileira”, finaliza.
Fonte: Brasil de Fato
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