Policial
Moradores ateiam fogo em objetos e expulsam venezuelanos de prédio abandonado durante protesto em RR
Moradores da cidade de Mucajaí, no Sul de Roraima, expulsaram venezuelanos de um prédio abandonado e queimaram seus objetos na tarde desta segunda-feira (19). O ato ocorreu durante um protesto contra a morte de Eulis Marinho de Souza, de 49 anos.
A manifestação começou no final da tarde e seguiu pela noite. Não há registro de feridos e nem detidos.
Para os moradores, Eulis Souza morreu por estar no mesmo local onde houve uma briga entre venezuelanos. Um imigrante também morreu na mesma situação.
O protesto teve a participação de 300 moradores, segundo a Polícia Militar. Os organizadores não divulgaram estimativa de público.
Durante a manifestação, os moradores entraram no prédio de uma escola abandonada onde os imigrantes se abrigam, reviraram e destruíram algumas coisas, atearam fogo em outras e expulsaram os venezuelanos do local.
Uma comerciante que mora próximo ao prédio disse que viu os venezuelanos sendo expulsos pelos manifestantes durante a ação. “Tinham mulheres e crianças quando eles chegaram. Todos foram embora com medo”, disse a comerciante que pediu anonimato.
Os imigrantes saíram do prédio deixando para trás fardos de alimentos, malas com roupas e outros pertences que não foram destruídos. Na ação, os moradores rasgaram pacotes de farinha de trigo e espalharam pelo local.
O grupo também ateou fogo a pneus e interditou o trecho urbano da BR-174 que passa pelo município. A rodovia foi fechada às 18h e só foi liberada às 19h30, após negociação com a Polícia Rodoviária Federal.
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Venezuelanos tiveram roupas e outros objetos queimado durante o ato (Foto: Marcelo Marques/G1 RR)
Questionado sobre o fato de terem ateado fogo aos objetos dos venezuelanos, Paulo Carvalho, um dos organizadores, disse que não considerou ato de vandalismo ou crime: “Só ateamos fogo em roupas”.
Outro líder do grupo, o pastor João Batista, se disse indignado com a presença dos imigrantes na cidade. “Não aguentamos mais a presença deles. Queremos que as autoridades façam alguma coisa. Há muitos roubos e furtos em nossa cidade”, afirmou.
A versão dos organizadores é que eles atearam fogo a algumas roupas quando não havia nenhum venezuelano no prédio.
Para o taxista e morador de Mucajaí, José Dias, o ato de ater fogo aos objetos dos venezuelanos foi agressivo. “Sou contra esse tipo de atitude. O caso da morte ainda nem foi esclarecido e ainda que um venezuelano tenha errado, não são todos que devem pagar pelo ato de um só”, disse.
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Trigo foi jogado em colchões de venezuelanos que se abrigavam em prédio abandonado (Foto: Marcelo Marques/G1 RR)
Venezuelanos com receio de voltar ao local
A reportagem conversou com o jovem venezuelano João Marinho, de 18 anos. Ele mora no prédio onde os brasileiros entraram e disse que quando chegou ao local suas coisas estavam reviradas. Segundo ele, as cerca de 50 pessoas que vivem no local estão com medo de voltar.
“Estou aqui trabalhando, não sou criminoso. É muito triste. Não podemos pagar pelo erro de outros vezenezulanos. Há pessoas boas que vêm para o Brasil”, disse, com receio, sobre o que aconteceu. O jovem falou que teme pela própria vida e decidiu ir embora da cidade após o ocorrido.
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