Ceará
CE investiga 9 suspeitas de doença da urina preta
Já são nove os casos de “mialgia aguda a esclarecer”, conhecida popularmente como doença da urina preta, no Ceará. A Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), através de nota técnica publicada no último dia 30, faz um resumo da investigação etiológica dos casos e revela que oito dos nove pacientes fizeram a ingestão de peixe um dia antes do aparecimento dos sintomas.
A Pasta estadual não comenta, no entanto, as informações divulgadas em nota apontam para que a possível causa da doença seja intoxicação através do pescado, causando a rabdomiólise (quebra rápida de músculo esquelético devido à lesão no tecido muscular).
O presidente da Sociedade Cearense de Infectologia, Érico Arruda, explica que ainda não há uma definição sobre a etiologia da doença. Entretanto, há um forte indicativo da co-relação da ingestão de peixe, principalmente a arabaiana, com a situação epidemiológica. O tipo de peixe foi o mais relatado pelos pacientes suspeitos tanto em Fortaleza quanto na Bahia.
“Pode ser que a gente não consiga ter um exame que identifique o vírus no peixe e nas fezes dos pacientes para comprovar a relação. Mas que possamos fechar a etiologia assim mesmo, o que é mais provável”, explica o médico, que avalia o tempo epidemiológico suficiente para que possa haver uma determinação em breve.
Sem novos casos
O infectologista também explica que a característica dessa doença não aponta para uma epidemia. “Os casos apareceram de dezembro para cá e já apresentaram na Bahia, onde surgiram os primeiros episódios, uma redução. Lá, já houve uma semana sem novos casos. A impressão é que não teremos muitos novos casos”, justifica. O ritmo no Estado da doença é lento. Até o dia 19 de janeiro deste ano, eram cinco suspeitos da doença da “urina preta”, conforme a Sesa. Até o dia 12, eram três.
Como o número de casos ainda é pequeno e a baixa gravidade da doença, Érico pondera que ainda não é o momento para recomendar que se pare a ingestão de peixes. O especialista é cauteloso e explica que a proibição teria um impacto grande na cadeia produtiva e nos hábitos da população. “O que podemos recomendar para a prevenção são medidas que busquem a qualidade de vida, como lavar as mãos, beber água tratada, conservar bem os alimentos, procurar os serviços de saúde quando sentirem os sintomas amplamente divulgados”, recomenda. Outra preocupação é que os números sejam maiores que as notificações. Para o infectologista, é provável que tenhamos mais casos, mas com sintomas mais leves. No entanto, com os efeitos mais brandos, as pessoas podem não ter procurado uma unidade de saúde. “É realmente muito difícil saber com precisão o número de casos, uma vez que não temos um marcador estabelecido”.
De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado do Ceará, os pacientes com suspeita de ter contraído a “doença misteriosa” relataram dores musculares intensas de início súbito, acometendo, principalmente, a região cervical, membros inferiores e superiores, mudança na tonalidade da urina (variando entre vermelho escuro e castanho), elevações significativas nas dosagens da cretinofosfoquinase (CPK) e os níveis hepáticos (TGO e TGP). Não houve relato de febre, cefaleia, artralgia ou exantema. A indicação é de tratamento com muita hidratação para que evite dano severo aos rins e de evitar o uso de anti-inflamatório em casos suspeitos.
Fonte: Diário do Nordeste
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